Notícias da Região | Santa Helena
Domingo, 10 de Maio de 2026
Santa-helenense que capturou o maior salmão do mundo é entrevistado pelo Globo Rural
Entre paisagens intocadas, temperaturas negativas e águas geladas, uma fisgada histórica marcou a viagem do empresário Alexandre Dick, de Brusque (SC), à Patagônia. Foi nesse cenário que ele realizou o sonho de capturar um salmão rei, também chamado de Chinook, considerado o maior da espécie no mundo.
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Em entrevista à Globo Rural, ele conta que o momento emocionante é resultado de anos de planejamento e expectativa.
“Eu sempre sonhei com esse peixe. Desde 2019, vou pra lá desejando muito conhecer o período pós-reprodução do Chinook. Acampamos a -2ºC, com o risco de que, se chovesse, não daria para pescar. Mas deu certo e tivemos dois dias de sol. Posso dizer que vivi uma verdadeira experiência patagônica, porque fiz trilha, acampei, dormi em rede… Foi a coisa mais linda do mundo”.
A pesca do exemplar raro, com cerca de 20 quilos e exatos 105 centímetros de comprimento, aconteceu no Rio Frio, no Chile, e exigiu técnica, paciência e resistência física, principalmente, pelas características do peixe e as condições extremas da região, com longas trilhas em meio à mata (assista no vídeo).
Outra característica marcante do Chinook, além de ser o maior salmão do mundo, está no ciclo de vida, explica Dick, que investiu em uma agência de turismo especializada em pescaria esportiva, a River King Turismo Outdoor, após se apaixonar pela atividade ainda na infância, acompanhando o pai desde os três anos.
“É uma coisa fascinante, porque ele nasce no rio, cresce ali até os 18 meses e depois vai para o Oceano Pacífico, onde viaja milhares de quilômetros até retornar para o rio em que nasceu para se reproduzir quando atinge cerca de cinco anos. Quando ele entra no rio, já não come mais, ataca apenas por territorialismo e, após se reproduzir, morre. O retorno acontece por um radar biológico em que alguns dizem que é pelo olfato e outros, magnetismo. Para quem gosta de pesca, é algo muito especial”.
Conheça mais sobre o salmão rei
De acordo com a National Wildlife Federation (NFW), entidade americana dedicada à proteção da vida selvagem e ecossistemas, o peixe mede, em média, 90 centímetros e pesa 13 quilos, números inferiores aos do exemplar encontrado pelo empresário catarinense.
Apesar disso, a espécie pode atingir dimensões impressionantes, ultrapassando 105 centímetros e mais de 50 quilos. Atualmente, o recorde homologado pela International Game Fish Association (IGFA) é de um peixe de 116 centímetros capturado em março de 2015 no Rio Yelcho, no Chile.
Nativo da região costeira entre o Alasca e a Califórnia, nos Estados Unidos, o salmão rei chegou à Patagônia na década de 1920, quando o governo chileno importou ovos para povoar os rios, considerando que a região apresentava condições ideais para o desenvolvimento da espécie. E isso aconteceu.
“O Chinook vive nas partes mais frias e profundas do Oceano Pacífico e retorna aos rios de água doce, como esse em que estive, para se reproduzir, o que significa que a ideia do governo deu certo. Os fins comerciais vieram depois nas fazendas, que hoje movimentam muito a economia. Inclusive, o salmão que consumimos no Brasil vem exatamente daquela região do Chile”, finaliza Dick.
O salmão raro capturado no Rio Frio passou pelos procedimentos oficiais de medição da BGFA, órgão que homologa os recordes nacionais, e será submetido a análise na categoria “peixe capturado por brasileiro em águas internacionais”.
O recorde atual no Brasil pertence a Iago Gryczynski, que, em 30 de março de 2025, no Chile, capturou um salmão rei também com 105 centímetros.
Globo Rural








