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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

Quem é o policial militar preso por executar casal de mulheres em Cariacica; sete PMs presenciaram crime e não fizeram nada

Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale atua na Polícia Militar desde 2008 e acumula várias denúncias, como agressão em boate e homem baleado em abordagem. Ele estava afastado das funções na rua devido à morte de uma mulher trans em 2022.

O policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, preso pela morte de duas mulheres a tiros em Cariacica, na Grande Vitória, entrou para a corporação em abril de 2008 e, desde então, acumula diversas denúncias, como agressão em boate, homem baleado em abordagem e também responde pela morte de uma mulher trans. O último caso envolvendo o cabo aconteceu no dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul. O militar foi flagrado fardado, em horário de serviço, atirando à queima-roupa contra Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos. Após o crime, ele foi preso em flagrante. Colegas de trabalho que estavam com ele não fizeram nada para impedir a ação do PM.

De acordo com o Portal da Transparência do governo do Espírito Santo, o policial militar investigado recebe salário líquido de R$ 7.393,36. O sistema também aponta que ele acumulou, ao longo dos anos, 100 dias de ausência e 264 dias de licença médica. O afastamento mais longo durou 156 dias, entre janeiro e junho de 2010. Nesta terça (14), o governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), confirmou que pediu a suspensão total de todos os policiais militares envolvidos no assassinato do casal. Ele classificou o caso como chocante e afirmou que não haverá tolerância com esse tipo de conduta, determinando o afastamento imediato dos envolvidos de suas funções. As armas também serão recolhidas.

Atualmente, o cabo atuava como guarda em uma companhia da corporação em Itacibá, no mesmo município, desempenhando função administrativa. Ele estava afastado das atividades nas ruas desde a morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, em 2022, atingida por cinco tiros durante uma abordagem no bairro Alto Lage, em Cariacica. Na ocasião, a Polícia Militar informou que houve reação da vítima, enquanto testemunhas apontam execução. O caso segue em andamento.

Há ainda registros de denúncias por agressão durante um “bico” em uma boate, em março de 2020, quando o cabo teria agredido um homem, causando fraturas no maxilar. O caso não foi a julgamento. O policial também é suspeito de balear um homem durante uma abordagem no mesmo ano. Apesar disso, foi absolvido pela Justiça Militar da acusação de lesão corporal grave, decisão que ainda cabe recurso.

No dia do crime, o policial deixou o local de trabalho durante o expediente para cometer os assassinatos. A ação envolveu a chegada de viaturas ao local e a aproximação de policiais até as vítimas, que estavam em frente ao prédio onde moravam.

A Polícia Militar foi questionada sobre a saída do policial da função administrativa e se houve autorização, além da conduta dos demais agentes que estavam presentes. Até a publicação, não houve resposta detalhada. A Corregedoria informou apenas que apura os fatos. Segundo um oficial da corporação, os policiais que acompanhavam o cabo já foram ouvidos e remanejados para funções administrativas, podendo sofrer medidas conforme a apuração individual.

O cabo será alvo de um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar possíveis transgressões, como abandono de posto e uso irregular de viatura. O caso de duplo homicídio tramita na Justiça comum. A arma utilizada pertence à corporação, e ele não tinha restrição para porte, apenas para atuação operacional. O policial está preso no Presídio Militar, em Vitória.

O crime aconteceu na noite do dia 8 de abril. Segundo apuração, a ex-mulher do militar teria ligado para ele relatando uma discussão com o casal e mencionando o envolvimento do filho. Testemunhas informaram que as partes moravam no mesmo prédio, em andares diferentes, e que houve desentendimentos anteriores, inclusive por suspeita de furto de energia. No dia do crime, a discussão voltou a ocorrer, momento em que o policial foi acionado. Após deixar o posto, ele foi até o local acompanhado de outros agentes. Houve discussão antes dos disparos. Daniele morreu no local, e Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

G1