Internacionais | Dificuldade de informação

Quinta-feira, 05 de Março de 2026

Por que é tão difícil ter notícias de dentro do Irã?

Partes do complexo da emissora estatal de rádio e televisão do Irã, a IRIB, em Teerã, foram atingidas pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a capital.

Na segunda-feira (2), as Forças de Defesa de Israel haviam alertado os iranianos a evitarem a região de Evin e as áreas vizinhas à emissora. Também orientaram que aqueles que já estavam no local buscassem abrigo imediato e evitassem áreas expostas até novo aviso.

Além da IRIB, a região abriga a notória prisão de Evin, que no ano passado sofreu um grande ataque de Israel, resultando em ao menos 80 pessoas mortas, incluindo funcionários, presos e familiares em visita.

Entre os muitos presos políticos e ativistas detidos ali atualmente, acredita‑se que esteja um dos poucos jornalistas estrangeiros que continuaram a reportar do Irã durante a violenta repressão aos manifestantes no mês passado.

Shinnosuke Kawashima, chefe do escritório em Teerã da NHK — a emissora pública japonesa —, foi transferido para a prisão após ser detido em 20 de janeiro, segundo informou a Radio Farda, serviço em persa da Radio Free Europe/Radio Liberty, localizada em Praga, na República Tcheca, citando duas fontes.

Sua detenção "reflete um esforço deliberado das autoridades iranianas para silenciar a cobertura independente… projetado para pressionar jornalistas ao silêncio e fazê-los temer continuar seu trabalho", declarou o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
"Ações como essa têm o objetivo de impor autocensura e expulsar a mídia independente do país", acrescentou Sara Qudah, diretora regional do CPJ.

A repressão mortal aos protestos foi seguida por um corte de internet que durou mais de uma semana, amplamente visto como uma tentativa de interromper o fluxo de informações — uma tática que as autoridades já utilizaram antes para moldar a narrativa.

Muitos iranianos que vivem em áreas próximas às fronteiras, porém, conseguiram estabelecer comunicação usando conexões de internet de países vizinhos.

Atualmente, os iranianos têm novamente enfrentado um apagão total, conforme relatado pela empresa global de monitoramento de internet NetBlocks, sediada em Londres. Mas parece haver breves períodos intermitentes em que as pessoas conseguem usar a internet.

Embaixador do Brasil no Irã relata falta de internet e dificuldade para se comunicar com brasileiros: 'instrução é se abrigar'
Todas as plataformas de redes sociais no Irã são proibidas, mesmo quando não há corte de internet. Para contornar essas restrições, as pessoas precisam usar VPNs (redes privadas virtuais).

O uso das VPNs permite "enganar" os controles do governo ao ocultar o local de onde a pessoa faz o acesso.

Fonte: G1