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Domingo, 01 de Março de 2026

Poder bélico do Irã segue forte mesmo após ataques, diz especialista

Professor Ronaldo Carmona destaca que o país possui forte capacidade militar, incluindo cerca de 2 mil mísseis de cruzeiro prontos para uso, mesmo após operações aéreas

O Irã mantém sua capacidade militar praticamente intacta mesmo após os recentes ataques israelenses contra o país, segundo análise do professor Ronaldo Carmona, especialista em geopolítica da Escola Superior de Guerra. Em entrevista à CNN Brasil, Carmona destacou que o país persa possui um arsenal significativo e se preparou para possíveis confrontos militares.

"O Irã não é um pequeno país, pelo contrário, é um dos grandes países do mundo, com mais de 90 milhões de habitantes. Do ponto de vista estritamente militar, tem Forças Armadas muito relevantes, onde, por exemplo, na área de mísseis, é um dos países que tem um nível de desenvolvimento mais intenso dessas capacidades missilísticas", explicou Carmona.

O especialista ressaltou que o Irã antecipou possíveis ataques e tomou medidas preventivas, como a construção de instalações militares subterrâneas capazes de resistir a bombardeios sofisticados. "O Irã se preparou para esse cenário. Então é muito possível que estejam camuflados, estejam inclusive ocultos lançadores e mísseis de grande porte que certamente serão utilizados em defesa da liderança do país", afirmou.

Confronto entre potências militares

O professor caracterizou o atual cenário como "um confronto militar de grandes proporções" entre potências de primeira linha. De um lado, Estados Unidos e Israel, com capacidade militar robusta, incluindo dois grupos de porta-aviões americanos na região - a maior concentração de forças desde a invasão do Iraque em 2003. Do outro lado, o Irã, com suas significativas capacidades de defesa.

Segundo Carmona, a estratégia do ataque israelense e americano teve dois objetivos principais: o assassinato seletivo de lideranças iranianas e a degradação das capacidades militares do país, especialmente seus lançadores de mísseis. No entanto, apesar desses esforços, o especialista estima que o Irã ainda possui aproximadamente 2 mil mísseis de cruzeiro prontos para serem lançados.

O professor também destacou uma mudança significativa na postura iraniana em comparação com os eventos de junho do ano passado. "Naquele momento, muito claramente, o alvo se voltava diretamente a instalações do programa nuclear iraniano. Desta vez, desde o pronunciamento presidencial logo que se iniciaram os ataques, foi proclamado que o objetivo aberto era exatamente uma mudança de regime", explicou.

Essa percepção de ameaça existencial, segundo Carmona, justifica a resposta mais ampla e intensa do Irã, que atingiu não apenas Israel, mas também bases militares americanas em diversos pontos do Oriente Médio. O especialista acredita, no entanto, que o conflito deve permanecer restrito aos principais envolvidos, sem a participação militar de outros países da região.

CNN