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Sábado, 14 de Fevereiro de 2026

PM que usou arma do trabalho para matar ex-companheira e homem no Paraná deve pagar R$ 100 mil para famílias das vítimas, pede MP

Crime aconteceu em Terra Boa. Gustavo Pereira confessou ter matado Jessica Brito de Lima e Gabriel Dulo. Denúncia do MP diz que foram 17 disparos. Defesa informou que aguarda perícias.

O policial militar Gustavo Pereira, de 31 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por feminicídio e homicídio qualificado. A denúncia foi divulgada nesta sexta-feira (13) e também solicita que ele pague indenização de R$ 100 mil para os familiares das duas vítimas.

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No dia 31 de janeiro, Gustavo invadiu a casa de Jessica Brito de Lima, de 30 anos, e atirou 17 vezes contra ela e Gabriel Dulo, de 23. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR), ele usou a arma do trabalho para cometer o crime.

No dia 5 de fevereiro, a defesa de Gustavo informou que ele confessou o crime e que, no momento, não irá presentar pela liberdade dele. O g1 entrou em contato com a defesa novamente, mas não houve retorno.

Agora, a denúncia é encaminhada à Justiça, que decide se o PM se torna ou não réu. Ele está preso desde o dia do duplo homicídio.

Como foi o crime

Gustavo foi à casa de Jessica na madrugada do dia 31 de janeiro, onde atirou 17 vezes contra as duas vítimas.

Conforme a nota compartilhada pela SESP, o policial militar é lotado em Cianorte, a 24 quilômetros de distância da cidade em que o crime aconteceu. Ele estava de folga no dia em que tudo aconteceu.

"Após o fato, o policial apresentou-se espontaneamente no Pelotão da Polícia Militar de Terra Boa, realizando a entrega da arma institucional utilizada", diz o comunicado.

Gustavo foi encaminhado à 21ª Subdivisão Policial de Cianorte. O comunicado também informou que serão adotadas "medidas legais, administrativas e disciplinares cabíveis".

A Polícia Civil (PC-PR) informou que o policial militar ficou em silêncio durante o depoimento.

Relacionamento conturbado

Greise Fortunato, irmã de Jessica, conversou com o g1 e explicou que a mulher e Gustavo tiveram um relacionamento de sete anos e não eram casados. Os dois têm um filho juntos.

O casal enfrentou problemas na relação desde o final de 2024, de acordo com a irmã. Ao longo de 2025, passaram períodos juntos e separados.

Neste período, há oito meses, a irmã lembra que Jessica pediu uma medida protetiva contra Gustavo para se resguardar. A Justiça concedeu a ordem judicial, mas a vítima retirou a solicitação após duas semanas, depois que Gustavo fez "pressão psicológica" - Greise disse.

A última tentativa de reatar aconteceu em outubro de 2025 e terminou no mesmo mês. A partir desta data, os dois não se relacionaram mais.

"Nessa chance que a minha irmã deu, ele não mudou e continuou a perdurar essa confusão toda. E ela deu um basta em outubro", Greise ressalta.

Em novembro de 2025, após o fim do relacionamento com o policial militar, Jessica conheceu Gabriel. Desde então, os dois estavam se conhecendo.

Famílias pedem justiça

g1 também conversou com Danielly Dulo, irmã de Gabriel. Ela explicou que Gabriel falou brevemente, ainda em 2025, que estava conhecendo Jessica.

As famílias das vítimas realizaram um protesto, no dia 1º de fevereiro, pedindo por Justiça pelas mortes do casal.

"Filho de agricultor, sempre trabalhou com o pai na roça, com dignidade e orgulho. Era apaixonado por motos, pelas estradas e pela liberdade que elas traziam", ela lembra.

O jovem completou 23 anos em setembro de 2025.

"Pra gente, a ficha ainda não caiu. Parece que nos foi arrancado um pedaço. Uma saudade que dói", disse Danielly.

O que diz a defesa

g1 entrou em contato com o advogado João Filho, que representa Gustavo. Não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

No dia 5 de fevereiro, Filho ⁠afirmou que o policial confessou o crime. Questionado sobre a motivação, disse que "a defesa irá aguardar o resultado de todas as perícias".

A nota também cita a medida protetiva que Jessica tinha contra Gustavo e foi retirada. Confira:

"Em relação à medida protetiva, a defesa informa que a vítima se manifestou de forma espontânea e diretamente ao poder judiciário requerendo a revogação da medida que lhe fora concedida, tudo sem qualquer influência do Sd. Pereira, inclusive, esta versão é rechaçada pelo fato de que o próprio Sd. Pereira optou por se apresentar no pelotão da PM após os fatos, ou seja, qual motivo teria ele para exigir a retirada de uma denúncia ou medida solicitada pela vítima.

A defesa respeita o posicionamento da família, de forma alguma busca afrontar ou revitimizar a vítima, mas é necessário que a defesa se manifeste de acordo com que os fatos ocorreram, até para facilitar o trabalho da Polícia Civil durante as investigações.

Por hora não iremos requerer a liberdade do Sd. Pereira, foi conversado com ele e chegamos à conclusão de que iremos aguardar o término das investigações.

Ele foi transferido para o Complexo Médico Penal, em Curitiba, trata-se de uma transferência absolutamente normal, isto ocorre porque os batalhões e as companhias não possuem condições físicas e de contingente para manter presos naquelas instalações.

Foram solicitados alguns exames periciais que ainda não haviam sido solicitados, bem como, a defesa aguarda a finalização de todos os laudos técnicos, não se descarta a possibilidade de formalizarmos um pedido de reconstituição dos fatos, tudo visando contribuir com a investigação e acima de tudo, buscar a verdade e a justiça, destacando que justiça não é justiçamento, por esse motivo que a defesa pede muita cautela em julgamentos precipitados e principalmente, que se respeite este momento em que as famílias, especialmente das vítimas estão passando."

G1

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