Internacionais | Baleia-de-Rice
Terça-feira, 31 de Março de 2026
O que se sabe sobre a baleia-de-Rice, espécie rara ameaçada por planos de expansão de petróleo nos EUA
Com menos de 100 indivíduos, espécie vive apenas no Golfo do México e pode sofrer impactos diretos de novas perfurações, segundo cientistas.
Uma das espécies de baleia mais raras do mundo vive em apenas um lugar: o Golfo do México. É justamente ali que planos do governo dos Estados Unidos para ampliar a exploração de petróleo e gás colocam a espécie sob risco ainda maior de extinção, segundo cientistas.
Com uma população estimada em menos de 100 indivíduos —e possivelmente inferior a 50—, a espécie depende de uma área bastante restrita para sobreviver, o que a torna especialmente vulnerável a mudanças ambientais e à ação humana.
Espécie foi identificada recentemente e vive em área limitada
Reconhecida como uma espécie distinta apenas em 2021, a baleia-de-Rice habita uma faixa relativamente estreita no nordeste do Golfo do México, em águas com profundidade entre 100 e 400 metros.
O comportamento do animal também contribui para sua vulnerabilidade. Durante o dia, a baleia mergulha em busca de alimento —principalmente peixes de alto teor energético— e, à noite, permanece próxima da superfície, onde descansa. Esse padrão a expõe a riscos como colisões com embarcações.
Segundo o biólogo Jeremy Kiszka, da Universidade Internacional da Flórida, trata-se de uma espécie que “vive bastante no limite”, por depender de um habitat específico e de uma dieta restrita.
Perfuração pode agravar ameaças já existentes
A expansão da exploração de petróleo e gás pode intensificar uma série de impactos que já afetam a baleia-de-Rice.
Entre os principais riscos apontados por especialistas estão o aumento do ruído no oceano —que pode interferir na comunicação e no comportamento de busca por alimento—, o maior tráfego de embarcações, com risco de colisões, e a possibilidade de novos derramamentos de petróleo.
Além disso, as mudanças climáticas, associadas à queima de combustíveis fósseis, podem alterar o habitat das presas das baleias, reduzindo a disponibilidade de alimento.
Estudos indicam ainda que parte significativa da já pequena população pode ter sido afetada pelo desastre da plataforma Deepwater Horizon, em 2010, considerado um dos maiores vazamentos de petróleo da história.
Outras espécies também podem ser afetadas
Os impactos da exploração não se limitam à baleia-de-Rice. Cientistas destacam que o ecossistema marinho é interligado, e que alterações em uma região podem afetar diversas espécies.
Entre os animais potencialmente ameaçados estão tartarugas marinhas em risco de extinção, peixes-boi, aves marinhas, corais e outros mamíferos marinhos.
“O oceano está interligado”, afirmou Letise LaFeir, do Aquário da Nova Inglaterra, ao destacar que mudanças no Golfo do México podem ter efeitos em toda a região.
Debate envolve economia, energia e proteção ambiental
A discussão ocorre em um contexto de pressão por aumento da produção de energia, impulsionada por conflitos internacionais e pela alta nos preços do petróleo.
Autoridades dos EUA avaliam, inclusive, mecanismos legais que poderiam permitir a flexibilização de regras de proteção a espécies ameaçadas em nome do interesse econômico e da segurança nacional.
Especialistas, no entanto, alertam que decisões desse tipo podem abrir precedentes e ampliar os riscos para espécies já ameaçadas.
“Se isso pode ser feito no Golfo, nenhuma espécie está totalmente segura”, afirmou o ambientalista Michael Jasny, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.
Fonte: G1








