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Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

Junho Violeta: Lidiane Schimitz destaca o combate à violência contra a pessoa idosa e apresenta o trabalho da Central de Acolhimento Institucional e Familiar.

Para além das festividades que marcam o mês de junho, este também é um período dedicado à campanha Junho Violeta, que busca conscientizar a sociedade sobre a violência contra a pessoa idosa e reforçar a importância da garantia de seus direitos. A mobilização acontece durante todo o mês, mas tem como principal marco o dia 15 de junho, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

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Entre as diversas campanhas realizadas ao longo do ano, esta talvez esteja entre as menos lembradas pelo público em geral. Isso pode levar à falsa impressão de que a violência contra idosos não é um problema recorrente, especialmente em municípios menores. Para desmistificar essa ideia, Lidiane Schimitz, gerente da Central de Acolhimento Institucional e Familiar de Santa Helena, explicou o trabalho desenvolvido no município e apresentou um panorama da realidade local.

Lidiane atua há vários anos na área da assistência social. Inicialmente trabalhou como coordenadora do CREAS e, desde 2021, está à frente da equipe responsável pelos serviços de acolhimento. Atualmente, a Central atua principalmente com o acolhimento familiar, mas também acompanha os casos de acolhimento institucional realizados por meio de parcerias do município.

Entre os serviços desenvolvidos está o programa Morada Fraterna, uma iniciativa municipal voltada ao acolhimento domiciliar voluntário de adultos com deficiência e idosos com 60 anos ou mais. Atualmente, três idosos e duas pessoas com deficiência participam do programa. Já em relação ao acolhimento institucional, o município mantém convênio com o lar de idosos de Nova Santa Rosa, onde hoje 13 idosos estão acolhidos. Mesmo estando em outro município, eles continuam sendo acompanhados pela equipe local, que também monitora as famílias acolhedoras e as famílias de origem de todas as pessoas acolhidas.

Segundo Lidiane, a realidade dos idosos costuma ser mais delicada do que a de crianças e adolescentes — outro público que atendem — principalmente porque muitos não possuem nenhum membro da família disponível para auxiliar nos cuidados. Por isso, o acolhimento familiar tem se mostrado uma alternativa importante. Nesse modelo, a pessoa acolhida passa a fazer parte da rotina de uma família, participando de atividades, construindo vínculos afetivos e recebendo cuidados em um ambiente familiar. De acordo com ela, as mudanças na qualidade de vida costumam ser perceptíveis em pouco tempo, tanto pela melhora física quanto pela socialização e pelo sentimento de pertencimento.

O Serviço Família Acolhedora foi implantado no município em 2018 e atualmente conta com 17 famílias ativas, seja acolhendo ou disponíveis para acolher. O número faz com que o município seja referência na região, inclusive superando cidades maiores. Nesta sexta-feira, aconteceu na Câmara Municipal o primeiro encontro regional sobre o serviço, reunindo representantes de municípios vizinhos interessados em conhecer as experiências desenvolvidas localmente.

Para quem deseja se tornar uma família acolhedora, o primeiro passo é procurar a Central de Acolhimento Institucional e Familiar, localizada na Avenida São Paulo, nº 420, ao lado do INSS. Os interessados passam por um processo de capacitação e avaliação antes de serem considerados aptos para receber uma pessoa acolhida.

Ao longo da entrevista, Lidiane também chamou atenção para o crescimento dos casos de vulnerabilidade envolvendo pessoas idosas. Segundo ela, o envelhecimento da população é uma realidade cada vez mais presente, enquanto as famílias estão menores e, muitas vezes, possuem menos condições de oferecer suporte aos seus integrantes mais velhos. Nesse cenário, as pessoas que já viveram a vida toda em situações de marginalização acabam sendo as mais afetadas.

E quando se fala em violência contra a pessoa idosa, não se deve pensar apenas em agressões físicas. As situações mais frequentes acompanhadas pela assistência social envolvem violência psicológica e violência patrimonial. Em muitos casos, idosos acabam sendo explorados financeiramente por familiares ou por pessoas próximas, o que reforça a necessidade de fiscalização e denúncia.

Atualmente, também existe a discussão sobre a implantação de um serviço de acolhimento institucional no próprio município, o que poderia facilitar o acompanhamento dos idosos e fortalecer ainda mais a rede de proteção já existente. A proposta ganha relevância especialmente por se tratar de uma cidade que desenvolve diversas atividades voltadas à terceira idade, que ajudam na socialização e na melhora da qualidade de vida.

Situações de maus-tratos, negligência, violência física, psicológica ou patrimonial contra pessoas idosas devem ser denunciadas. Em Santa Helena, os casos podem ser encaminhados aos serviços de assistência social, como o CRAS e o CREAS, ou pelo telefone (45) 3268-8310, da Secretaria Municipal de Assistência Social, onde funciona o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa.

O Junho Violeta serve como um importante lembrete de que envelhecer com dignidade é um direito de todos. Mais do que uma campanha, é um convite para que a sociedade esteja atenta, denuncie situações de violência e compreenda que o cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva. Afinal, proteger quem já percorreu uma longa caminhada é também uma forma de construir um futuro mais humano para todos.

Confira a coluna da Giovanna Mainard 

Veja mais: Campanha Junho Violeta reforça canais de denúncia contra violência à pessoa idosa em Santa Helena

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