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Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

Josias Nunes, motorista inocentado pela morte de JK, morre aos 82 anos

Acusado injustamente pela ditadura no caso da morte de JK, Josias Nunes morreu antes da retratação oficial do Estado

O motorista Josias Nunes de Oliveira, acusado injustamente durante a ditadura militar de ter causado o acidente rodoviário que levou à morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), morreu nessa terça-feira (16/6), aos 82 anos. O enterro foi realizado no Cemitério Parque dos Indaiás, no interior de São Paulo.

Em 1976, um inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou que o ônibus da Viação Cometa, conduzido por Josias, teria atingido a traseira do Opala em que estava o ex-presidente. Na versão sustentada à época pela ditadura, a colisão teria feito o motorista Geraldo Ribeiro perder o controle do veículo que levava JK, invadindo a pista contrária e batendo contra uma carreta Scania.

Um ano depois, em 1977, Josias foi absolvido da acusação de homicídio em primeira instância. A decisão foi confirmada em segunda instância em 1978, quando o caso acabou arquivado.

Em depoimentos prestados à Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, em 2013 e 2017, o motorista aposentado relatou ter sido hostilizado publicamente e chamado de “assassino de JK” nas ruas, apesar da absolvição.

No mesmo comunicado, a comissão informou que deveria “organizar um pedido de desculpas formal a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus que foi apontado como suposto causador do acidente, de acordo com a versão oficial da época sobre os fatos”.

Josias, entretanto, morreu antes da formalização do pedido de desculpas.

Metrópoles