Notícias da Região | Porca Véio
Sexta-feira, 12 de Junho de 2026
Há seis anos, a música gaúcha se despedia de Porca Véia, o eterno Pai do Gaitaço
A gaita silenciou, mas o compasso fandangueiro deixado segue mais vivo do que nunca na memória
Fundador do Grupo Cordiona e dono de sucessos que embalaram milhares de fandangos, Élio da Rosa Xavier faleceu em 12 de junho de 2020, deixando um legado inestimável para a tradição sulista.
Clique aqui para participar de um dos nossos grupos no WhatsApp
Nesta sexta-feira, 12 de junho, completam-se exatos seis anos de uma das perdas mais sentidas na música tradicionalista do Sul do Brasil. Élio da Rosa Xavier, imortalizado nos palcos e galpões como Porca Véia, falecia aos 68 anos de idade, vítima de duas paradas cardíacas, no Hospital Regina, em Novo Hamburgo (RS).
O cantor, compositor e gaiteiro lutava bravamente contra complicações de saúde. Diabético e sofrendo de severa insuficiência renal, o músico realizava sessões de hemodiálise três vezes por semana. Sua última aparição pública aconteceu apenas duas semanas antes de sua morte, em 30 de maio de 2020, durante uma transmissão ao vivo (live). Na ocasião, o artista leiloou uma de suas gaitas e conversou com fãs sobre sua recuperação após a retirada recente de um rim.
O sepultamento ocorreu no dia seguinte ao falecimento, na cidade de Ivoti (RS), onde residia. Devido às severas restrições impostas pela pandemia de coronavírus na época, as cerimônias fúnebres foram restritas apenas aos familiares mais próximos.
Das lavouras aos grandes palcos
Natural da localidade de Pontão, no município de Lagoa Vermelha, Porca Véia nasceu no dia 2 de março de 1952. Filho de Lauro Nunes Xavier e de Julieta da Rosa Xavier, a paixão pela música foi herança de berço, influenciado por pais e tios que já eram músicos. Antes de dedicar a vida aos acordes da sanfona, o gaúcho chegou a se formar como técnico agrícola aos 16 anos.
A profissionalização na música, no entanto, ganhou tração na década de 1980. Ele tocou com conjuntos de renome, como Grupo Candieiro, Fogo de Chão e Os Tropeiritos, até realizar o sonho de criar a sua própria identidade musical fundando o aclamado Grupo Musical Cordiona. A partir dali, o som inconfundível de sua gaita animaria bailes pelos quatro cantos do país.
Despedida dos bailes e a vida nos bastidores
O agravamento do quadro clínico forçou Porca Véia a tomar uma decisão difícil em abril de 2013: a aposentadoria das estradas. O show de despedida após 33 anos de carreira foi um verdadeiro marco histórico. No dia 28 de dezembro de 2013, quase 5 mil pessoas lotaram os Pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul, para prestigiar o ídolo. O evento emocionante resultou na gravação do seu terceiro DVD: "Porca Véia 30 anos de sucesso".
Mesmo longe dos palcos, ele nunca abandonou o Cordiona. Integrantes do grupo relembram que tudo continuava passando por ele nos bastidores. Para músicos como Fernando dos Santos, que tocou com o ídolo por nove anos, a relação era de "pai e filho". Já Dener Valle, atual gaiteiro do grupo, carrega o apelido de "Porquinha" em homenagem ao ídolo que conheceu ainda criança.
Porca Véia deixou quatro filhos e a esposa, a catarinense Claudineia Bossardi, com quem era casado desde agosto de 2009.
O Legado de Ouro: Os maiores sucessos de Porca Véia
Ao longo de sua trajetória, o "Pai do Gaitaço" vendeu milhares de cópias, acumulando um acervo de respeito com 21 CDs e 3 DVDs lançados, além de ostentar dois discos de ouro.
O artista colecionou sucessos que se tornaram hinos obrigatórios nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e nas rádios especializadas. Relembre as principais músicas que marcaram a carreira de Porca Véia:
- Lembranças
- Luz do Meu Rancho
- Gaiteiro por Demais
- De Alma Serrana
- Fandangueiro
- Do Jeito que Deu
- Lagoa Vermelha
A gaita silenciou há seis anos, mas o compasso fandangueiro deixado por Porca Véia segue mais vivo do que nunca na memória do povo sulista. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e uma imensa legião de fãs prestam, nesta data, suas homenagens a quem dedicou a vida a cantar os costumes do Rio Grande.
CATVE








