Internacionais | Celebrando o cessar fogo

Quarta-feira, 08 de Abril de 2026

Grande satisfação, coisa muito boa e apelos pelo Líbano: comunidade internacional celebra cessar-fogo entre EUA e Irã

EUA, Israel e Irã entraram em acordo para interromper guerra no Oriente Médio e dar abertura para nova rodada de negociações nas próximas duas semanas. Trégua de ataques envolve abertura do Estreito de Ormuz. Israel, no entanto, diz que acordo não inclui Líbano.

A comunidade internacional reagiu com otimismo e satisfação nesta quarta-feira (8) ao anúncio de cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. No entanto, cresceram os apelos para que a trégua também inclua o Líbano, algo que no momento está sendo contestado pelo governo israelense.

Em seus comunicados, diversos países pressionaram pela reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã prometeu reabrir durante o período de cessar-fogo.

Veja abaixo o que cada país e autoridade disse em reação à trégua na guerra no Oriente Médio:

Papa Leão XIV: recebeu com "grande satisfação" o cessar-fogo e disse que é um "sinal real de esperança";
Emmanuel Macron (presidente da França): cessar-fogo é uma "coisa muito boa", mas que é preciso incluir o Líbano, que enfrenta uma situação crítica;
Rússia: saudou o cessar-fogo após "declarações duras" na terça-feira das partes envolvidas na guerra;
China: celebrou a trégua e voltou a pedir o fim da guerra;
Ursula von der Leyen (chefe da União Europeia): celebrou o cessar-fogo por "trazer uma desescalada muito necessária neste momento";
Kaja Kallas (chefe das Relações Exteriores da UE): acordo de cessar-fogo "afasta EUA e Irã da beira do abismo";
Antonio Gueterres (secretário-geral da ONU): celebrou a trégua e pede que todos os países respeitem o direito internacional;
Arábia Saudita: celebrou o cessar-fogo, mas disse que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto;
Catar: celebrou a trégua e pediu para o Irã "parar com todos os atos hostis";
Volodymyr Zelensky (presidente da Ucrânia): celebrou a desescalada e disse estar pronto para um cessar-fogo em sua guerra contra a Rússia;
Pedro Sanchez (premiê da Espanha): saudou o cessar-fogo e disse que é "inaceitável" que a guerra continue no Líbano;
Alemanha: celebrou o cessar-fogo e disse que deve ser o primeiro passo rumo a uma paz duradoura;
Keir Starmer (premiê do Reino Unido): celebrou o cessar-fogo, que poderá trazer um momento de alívio ao Oriente Médio;

'Objetivos cumpridos'
O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.

Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, o acordo de não agressão terá uma validade de duas semanas. Durante o período, o Estreito de Ormuz permanecerá aberto.

Segundo ele, os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação (veja quais são abaixo). Trump declarou que quase todos os pontos de divergência já foram acordados entre os dois países.

"Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído", disse.

Leia o anúncio de Trump na íntegra mais abaixo.
Segundo autoridades da Casa Branca, Israel também fará parte da trégua. Na mesma linha, a mídia israelense disse que o cessar-fogo também inclui o Líbano.

O Paquistão confirmou que as conversas entre negociadores de EUA e Irã começarão na próxima sexta-feira (10), em Islamabad.

Irã confirma
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos.

Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições.

"Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas."
O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas devem começar na sexta-feira (10), no Paquistão.

A TV estatal do Irã classificou o acordo como um "recuo humilhante de Trump" e disse que os EUA aceitaram os termos de Teerã. A mídia iraniana também afirmou que a trégua não representa o fim da guerra.

Segundo Teerã, a proposta de paz enviada pelo país exige o fim das sanções dos EUA contra o Irã, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados.

Segundo a agência Mehr, do governo iraniano, os 10 pontos que Teerã apresentou aos EUA são:

Não agressão
Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz
Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã
Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã
Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã
Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU
Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA
Pagamento de indenização ao Irã
Retirada das forças de combate dos EUA da região
Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

Fonte: G1