Brasil | Privatização da Celepar

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026

Governo mantém data do leilão e confia em vitória no pleno do STF

Secretário estadual de Inovação, Alex Canziani, diz que Paraná apresentará documentação solicitada pelo ministro Flávio Dino antes de recorrer da decisão que suspendeu venda da companhia

O Governo do Paraná confia em reveter a decisão monocrática que paralisou o processo de venda da Celepar no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a tempo de promover o leilão na B3, em São Paulo, que segue marcado para o dia 17 de março.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan News, o secretário de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, disse que a documentação referente ao processo de privatização solicitada pelo ministro Flávio Dino está sendo preparada e que um eventual recurso só será apresentado após a manifestação do pleno da Corte, quando todos os ministros poderão se manifestar.

“O leilão continua marcado, o processo continua avançando. Nós vamos responder tudo aquilo que o ministro nos solicitou e aí o pleno é que vai dizer se continua ou não. Se houver um indeferimento, nós vamos recorrer. Mas a nossa expectativa é que realmente isso avance. Nós temos uma clara convicção daquilo que o Paraná está fazendo”, afirmou o secretário de Inovação, Alex Canziani.

Canziani disse que o Governo do Paraná espera apenas que o julgamento do caso “não seja politizado, que seja uma análise técnica”. Dino suspendeu a privatização, em caráter liminar, ao atender uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo PT e pelo PSOL, partidos de oposição ao governo Ratinho Junior.

“É lógico que como [a privatização da Celepar] é uma questão pioneira isso gera alguma dúvidas, algumas preocupações, mas o Paraná está muito ciente de que isso será benéfico para o estado, e nós acreditamos que esse processo vai avançar”, afirmou o secretário.

Na decisão, emitida de forma digital no último domingo (22), o ministro suspendeu provisoriamente a Lei nº 22.188/2024, que autorizou a venda da Celepar, sob a justificativa de “riscos ao direito fundamental à proteção de dados pessoais, especialmente informações sensíveis ligadas à segurança pública”.

Dino citou quatro obrigatoriedades que o Governo do Paraná deve cumprir antes que o STF volte a analisar a liberação da privatização da Celepar:

O Estado do Paraná deve elaborar, antes que evolua a desestatização da Celepar, um “relatório de impacto à proteção de dados pessoais” específico para a transição societária, a ser submetido à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para fins de análise e sugestões de padrões e de boas práticas, em estrita consonância com os princípios da responsabilização e da prestação de contas que informam as atividades de tratamento de dados.

A desestatização da Celepar deve observar a legislação federal sobre proteção de dados pessoais, notadamente a Lei nº 13.709/2018 (LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) e a Lei nº 13.675/2018 (Política Nacional de Segurança Pública);

O Estado do Paraná deve preservar o controle sobre os sistemas e as bases de dados pessoais sensíveis e classificados no rol do art. 4º, III, da LGPD, vedada a sua transferência integral a entes de natureza privada, exceto na hipótese em que o capital seja integralmente constituído pelo Estado;

O Estado do Paraná deve preservar os poderes fiscalizatórios, de forma direta, sobre as atividades de tratamento dos dados pessoais sensíveis e classificados no rol do art. 4º, III, da LGPD, sem prejuízo da competência da ANPD;

Após a decisão individual do ministro, a ADI será levada a julgamento por todos os ministros da Corte. Dentro do processo, foi marcado prazo para que os magistrados depositem seus votos em Plenário Virtual (ou seja, sem sessão aberta) de 6 a 13 de março.

Dino citou risco a dados pessoais para suspender privatização da Celepar

À Jovem Pan News, o secretário Alex Canziani tentou rebater o principal argumento da oposição para criticar o processo de privatização da Celepar: o risco à proteção de dados dos paranaenses. Ele disse que, mesmo que a companhia permanecesse pública, como é hoje, não há garantia contra o vazamento de dados. E citou exemplos:

“Tivemos o vazamento de dados dos próprios ministros do Supremo e de seus familiares, feito por um servidor do Serpro. Tivemos a questão do INSS, quando alguém dentro do Dataprev vazou dados dos aposentados do Brasil… Isso mostra o seguinte: nós não podemos garantir que uma deteminada empresa, sendo pública ou privada, não vá acontecer isso”, afirmou Canziani.

“Agora o que nós sabemos, e o Paraná acredita nisso, é que se for uma empresa privada, ela tem muito mais tecnologia para não permitir que esse dados vazem. E mais do que isso: a LGPD é muito rigorosa nesse sentido. Se houver vazamento por parte de uma empresa privada há uma punição exemplar, coisa que não vi acontecer com o Serpro e o próprio Dataprev”, argumentou.

RIC