Brasil | Gastos em viagens

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026

Gastos de brasileiros em viagens de negócio ao exterior crescem 50%

Despesas caíram no período da pandemia, mas voltaram a ter expansão a partir de 2022. Estrangeiros mantiveram patamar de gastos

Os gastos de brasileiros em viagens a negócios no exterior cresceram 50% nos últimos dez anos. Em 2016, as despesas deste tipo fora do território nacional somaram US$ 4,01 bilhões, mas cresceram ao longo do tempo e alcançaram US$ 6,04 bilhões, conforme dados levantados pelo Metrópoles no site do Banco Central (BC).

Por outro lado, o contrário, os gastos de estrangeiros no Brasil em viagens de negócios em 2016 e 2025 foram praticamente os mesmos. O registro é de US$ 1,52 bilhão no primeiro ano da série e de US$ 1,57 ao fim do período. Com isto, a variação foi de apenas 3,29%.

O aumento dos gastos de brasileiros no exterior em viagens de negócio e a estabilidade nas despesas dos gringos em empreitadas por aqui fez com que o déficit desta conta aumentasse 79% no intervalo analisado. Em 2016, o déficit foi de US$ 2,49 bilhões, mas passou para US$ 4,46 bilhões no ano passado.

As despesas de viagens a negócios foram severamente afetadas pela pandemia de Covid-19 a partir de 2020. Em 2016, brasileiros gastaram US$ 4,01 bilhões em viagens corporativas a partir das nossas fronteiras. Em 2020, a despesa foi de US$ 1,43 bilhão, patamar semelhante ao do ano seguinte (US$ 1,39 bilhão). A recuperação veio a partir de 2022, quando este dado chegou a US$ 3,58 bilhões.

Professor de finanças da Strong Business School, Jarbas Thaunahy considera que parte do aumento é reflexo da busca do Brasil em expandir parcerias comerciais no exterior.

“O entendimento é que os deslocamentos internacionais para negócios estão priorizando agendas mais estratégicas. Então, mesmo podendo fazer reuniões on-line, existe a questão do estar presencialmente, a questão estratégica. As negociações que são mais relevantes e também diante do retorno de eventos de comércio, como feiras e rodadas de negociação”, avalia Thaunahy.

O especialista considera que, mesmo antes da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, empresários brasileiros já atuavam por novos mercados.

“Como nós tivemos recentemente essa assinatura do acordo da União Europeia com o Mercosul e já havia tratativas de bastidores nos últimos anos, sim, tem uma relação direta entre os gastos”, sustenta Thaunahy.

Índia e China

Diante da política econômica do governo do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, com a imposição de tarifas, o governo federal reforçou a atuação para diversificar as parcerias comerciais a partir de abril do ano passado.

As relações com a China foram reforçadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na China em maio de 2025 para participação na cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) em meio à guerra tarifária daqueles dias com os EUA.

Agora, Lula prepara uma comitiva com o objetivo de uma grande viagem para a Índia logo após o Carnaval. O Brasil alugou, por dois dias, um auditório com capacidade para cerca de 500 pessoas durante a visita de Lula ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Um grupo de 200 empresários brasileiros credenciado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) vai percorrer os ambientes corporativos no anseio de fechar novos negócios.

METRÓPOLES