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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

FIA cobrou Red Bull após Verstappen expulsar repórter no Japão, diz portal

Entidade leva episódio ao conselho de mídia e discute postura do piloto em coletiva

O episódio envolvendo Max Verstappen na coletiva do GP do Japão ganhou novo capítulo com o envolvimento da FIA no caso. Segundo o site "GPblog", a entidade procurou a Red Bull Racing para tratar do ocorrido.

Na ocasião, Verstappen condicionou sua participação à saída do repórter da sala. O caso ocorreu em Suzuka, e teria origem em uma pergunta feita ao fim da temporada passada, após o GP de Abu Dhabi.

Segundo relatos, o tema foi levado ao Conselho Consultivo de Mídia da categoria. A partir disso, a FIA entrou em contato com a equipe para pedir esclarecimentos sobre o ocorrido.

De acordo com o site, houve uma reunião entre o jornalista e representantes da entidade. As preocupações com o episódio foram repassadas à Red Bull.

Relembre a polêmica

O caso ocorreu em Suzuka, quando o piloto se recusou a iniciar a entrevista enquanto o jornalista Giles Richards, do *The Guardian*, permanecia na sala. “Não vou começar antes que ele saia”, afirmou Verstappen.

A situação tem origem no fim da temporada de 2025, após o GP de Abu Dhabi. Na ocasião, o repórter questionou o impacto de um incidente com George Russell, no GP da Espanha, na disputa pelo título.

Meses depois, o reencontro entre os dois manteve a tensão. A atitude do piloto gerou reação no paddock e passou a ser discutida internamente pela Fórmula 1.

Explicação de Verstappen

Durante o fim de semana, Verstappen comentou o caso em entrevista à imprensa holandesa e explicou os motivos da reação na coletiva.

“Já respondi a essa pergunta cerca de 20 vezes para pessoas diferentes".

“O problema não era a pergunta em si. Sempre expliquei claramente meu raciocínio e o que aconteceu naquele momento. Mas rir na minha cara ao me fazer essa pergunta após a última corrida da temporada, e fazê-lo com má intenção, é uma grande falta de respeito".

O piloto afirmou que a forma como a abordagem foi feita influenciou sua decisão de não responder na coletiva.

“Se não me respeitam, não preciso respeitar ninguém. A vida é assim, bem simples. Normalmente, tenho respeito por todos. Recebo muitas perguntas, algumas delas sem sentido, mas respondo. Isso faz parte da F1".

Verstappen também citou o contexto da entrevista realizada em Abu Dhabi ao justificar o incômodo com o episódio.

“No entanto, nesse caso, a pergunta foi claramente feita com má intenção. Em Abu Dhabi, a câmera estava voltada apenas para mim, vocês não veem o que estava acontecendo atrás. Na minha opinião, essa foi uma atitude totalmente desrespeitosa".

Pronunciamento do repórter

Em coluna, Richards afirmou que ficou surpreso com a atitude e destacou que nunca havia sido retirado de uma coletiva na Fórmula 1 em mais de uma década cobrindo a categoria.

"Nosso primeiro encontro presencial em 2026 aconteceu em Suzuka, quando o holandês se revelou ter uma memória de elefante. Ao me ver, ele me encarou, sorriu e declarou que não falaria até que eu me retirasse", iniciou.

"Você está mesmo tão chateado com isso?", perguntou Richards na ocasião. "Saia daqui. É. Saia daqui", respondeu o piloto, segundo o relato.

Após isso, o jornalista se retirou da sala, e Verstappen se dispôs a dar andamento à coletiva. Richards destacou que o piloto sorria durante a interação.

"Verstappen sorriu durante toda a discussão. Talvez estivesse simplesmente apreciando a dinâmica de poder?", indagou na coluna. "Fiquei profundamente decepcionado (...). Nunca me pediram para me retirar de uma coletiva de imprensa. É uma ocorrência extremamente rara para um jornalista na F1, sendo que quase ninguém consegue se lembrar de mais de um ou dois casos."

Não obstante, o repórter afirmou que segue admirando Verstappen mesmo após a decepção.

"Continuo admirando Verstappen e espero que possamos ter um relacionamento melhor no futuro. Às vezes, perguntas difíceis e constrangedoras precisam ser feitas. Esse é o preço a se pagar por esse privilégio", concluiu.

Entre falta de classe e bem-estar

Após o episódio, o jornalista relatou ter recebido mensagens ofensivas por e-mail.

"Em menos de duas horas, alguém rastreou meu e-mail. 'Você é o problema. Você é o idiota tóxico responsável por toda a parcialidade britânica na F1. Você é o pior'".

Ele também citou a reação de colegas da imprensa.

"Meus colegas ficaram em choque e preocupados com meu bem-estar. Um deles descreveu a atitude como 'sem classe'", contou.

Richards afirmou estar bem e defendeu o papel da imprensa no restante da coluna.

"Estou bem. Aliás, a parte mais desconfortável é escrever sobre isso em primeira pessoa. Um jornalista nunca quer ser a notícia", sopesou.

Abu Dhabi: o começo do problema

O jornalista relembrou que já havia entrevistado Verstappen outras vezes, com interações consideradas normais.

"Em mais de uma década cobrindo o esporte, entrevistei Verstappen talvez uma dúzia de vezes, todas de forma amistosa e bem-humorada".

Segundo ele, o incômodo do holandês surgiu após pergunta sobre o incidente com George Russell no GP da Espanha de 2025.

"Após a última corrida da temporada em Abu Dhabi", escreveu, "perguntei a ele como se sentia em relação ao incidente e se tinha algum arrependimento, uma pergunta que precisava ser feita".

"Não tenho certeza se dei um sorriso bobo. Certamente fiquei surpreso com a veemência da resposta dele, e isso pode ter provocado um sorriso nervoso".

O repórter afirmou que ficou surpreso que Verstappen voltou a demonstrar incômodo mesmo meses depois, ao exigir sua saída da coletiva no Japão.

"Depois de lhe dizerem que não falaria a menos que eu me retirasse, perguntei se era por causa da pergunta feita em Abu Dhabi. Ele confirmou. Mais uma vez, fiquei surpreso".

CNN Brasil