Internacionais | Combnação de ameaças

Terça-feira, 14 de Julho de 2026

EUA precisam combinar ameaças e garantias de segurança robustas para o Irã

Guarda Revolucionária insiste em controlar o Estreito de Ormuz para evitar futuras ações militares contra o país

A insistência da Guarda Revolucionária Islâmica em controlar o Estreito de Ormuz exige uma combinação balanceada de ameaça militar e garantias de segurança, ambas críveis, por parte dos Estados Unidos.

O presidente americano, Donald Trump, parece determinado a proporcionar a primeira parte dessa estratégia. Ele anunciou “duros” ataques contra o Irã nas noites desta segunda e terça-feira.

Entretanto, a ideia de Trump de cobrar pela segurança dos cargueiros que trafegam o Estreito retira legitimidade de sua postura. Afinal, o presidente americano está incorrendo na mesma ilegalidade, do ponto de vista das normas internacionais, que o próprio Irã.

O regime iraniano tem cobrado entre US$ 1 e US$ 2 milhões em pedágio de cada cargueiro. Trump falou em cobrar 20% do valor da carga. No caso de um superpetroleiro, capaz de transportar 2 milhões de barris, isso significaria mais de US$ 32 milhões, ao preço do petróleo de hoje.

Seria uma sobretaxa de US$ 16 por barril, que fechou a segunda-feira a pouco mais de US$ 83, pressionado justamente pela declaração de Trump sobre intensificar os ataques.

A motivação da Guerra Revolucionária em manter a soberania sobre o Estreito é elevar o preço político, econômico e militar de futuros ataques contra o Irã. Só garantias robustas de que isso não ocorrerá no futuro, somadas a um alto custo militar se o Irã não abrir mão desse controle, poderiam demovê-la.

O processo é complicado pelo fato de Trump ter rompido o acordo nuclear com o Irã em 2018 e ter ordenado bombardeios contra o país no ano passado e neste ano, enquanto seus enviados negociavam com autoridades iranianas.

Sendo assim, o primeiro passo seria a construção de confiança. E a abertura de um canal direto com a Guarda Revolucionária, preferencialmente de militares americanos para iranianos.

Para a corrente pragmática do presidente Massoud Pezeshkian e do presidente do Parlamento, Mohamed Bagher Ghalibaf, bastam o levantamento das sanções à venda do petróleo, o descongelamento de depósitos bancários e a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã.

Já para os militares iranianos, isso não basta. As correntes que os apoiam acusam o governo pragmático de “traição”. Serão necessários incentivos e pressões robustos para mudar essa situação.

CNN