Internacionais | Divergensia nas negociações

Terça-feira, 02 de Junho de 2026

EUA e Irã divergem sobre status de negociações; entenda

Enquanto Donald Trump afirma que conversas continuam, Irã suspende negociações em protesto contra ofensiva israelense no território libanês

Estados Unidos e Irã apresentam versões contraditórias sobre o andamento das negociações de paz no Oriente Médio, enquanto Israel mantém sua ofensiva militar no sul do Líbano.

A correspondente internacional da CNN Priscila Yazbek, em Nova York, detalhou que o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não apenas confirmou a continuidade dos ataques no sul do Líbano, mas também ameaçou atacar alvos em Beirute, capital libanesa, caso o Hezbollah não cesse os disparos contra o território israelense.

Após essa ameaça, a embaixada do Líbano em Washington informou que o Hezbollah aceitou uma proposta dos Estados Unidos para o encerramento das hostilidades, que seria ampliada para abranger todo o território libanês.

Deslocamento em massa e impasse diplomático

A ofensiva israelense provocou um novo deslocamento de civis no Líbano.

O gabinete de Netanyahu acusa o Hezbollah de violar o cessar-fogo, mas um deputado do Hezbollah declarou que a organização apoiaria uma trégua total em todo o Líbano como etapa preliminar para a retirada das tropas israelenses.

A correspondente destacou que negociações anteriores entre autoridades libanesas e israelenses não contaram com a participação do Hezbollah — que, além de ser um grupo armado financiado pelo Irã, possui representação no parlamento libanês —, o que impediu a interrupção dos combates.

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant'Anna explicou, ao CNN Prime Time, que o grande obstáculo às negociações entre EUA e Irã é justamente o conflito entre Israel e o Hezbollah.

"O Irã se recusa a seguir adiante nessas negociações enquanto Israel continua expandindo a ocupação sobre o Líbano", afirmou.

Trump pressionado e versões conflitantes

A agência estatal iraniana reportou que as negociações com os Estados Unidos estavam suspensas em razão dos ataques israelenses ao Líbano.

Houve ainda troca de ataques entre forças americanas e iranianas, inclusive em uma base dos EUA no Kuwait.

O presidente americano, Donald Trump, iniciou o dia afirmando acreditar que o Irã desejaria negociar e, posteriormente, em entrevista à NBC, declarou que os dois países já estavam conversando muito e que "talvez seria melhor agora que ficassem em silêncio" — ressaltando que isso não significava novos bombardeios ao Irã.

Sant'Anna observou que a declaração é irônica, já que Trump costuma falar publicamente sobre as negociações, e que o americano também reclamou de pressões internas de democratas e de republicanos que, segundo ele, estariam atrapalhando as tratativas com o Irã.

Segundo o analista, enquanto a questão de Israel no Líbano não for resolvida, as negociações com Teerã não avançarão.

CNN