Notícias da Região | Santa Helena

Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

Escritor Dirceu Kuhn fala sobre os 21 anos de carreira na literatura e destaca suas obras que misturam poesia, romance e humor

Natural de Entre Rios do Oeste, mas morador de Santa Helena desde os 10 anos, Dirceu Kuhn conta que sempre teve o hábito da leitura, mesmo sem ter conseguido concluir os estudos na idade considerada regular. Apenas aos 28 anos finalizou o 1º e o 2º graus por meio de supletivos e, posteriormente, ingressou na faculdade de Letras – Português, período em que começou a escrever de forma mais séria e passou a considerar a possibilidade de publicar suas produções.

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Durante a graduação, escreveu diversos textos e, já no fim do curso, decidiu organizar alguns dos seus “rabiscos” para transformá-los em livro. A ideia surgiu em 2003 e, dois anos depois, entrou em contato com a Unioeste de Cascavel, que aceitou seu projeto. Assim nasceu sua primeira obra, Memórias Libertárias do Zé da Silva, uma sátira humorística e irônica sobre o Brasil, descrita pelo próprio autor como um trabalho ainda “amador”, por marcar o início de sua trajetória literária.

O segundo livro foi lançado em 2007, pela Editora Imagem, de Toledo, com o título Amore Mio, reunindo cerca de 100 poesias românticas. Já em 2025, Dirceu publicou mais duas obras, que considera as mais elaboradas da carreira até agora. A primeira delas foi In-Versos, lançada por uma editora de São Paulo, reunindo 86 poesias de diferentes estilos, entre elas românticas, humorísticas, críticas e sociais. A publicação mais recente é Não Abra, livro com 300 frases autorais viabilizado pela Lei Aldir Blanc.

Depois das duas primeiras publicações, em 2005 e 2007, Dirceu acabou sendo efetivado como bancário, profissão que conciliou durante muitos anos com a escrita. Segundo ele, muitas ideias surgem justamente das conversas do cotidiano com os clientes. O escritor também acredita que viver exclusivamente da literatura no Brasil ainda é muito difícil, sendo uma realidade mais acessível apenas para autores que alcançam grande notoriedade ou conciliam a escrita com outra profissão.

Mesmo assim, segue produzindo intensamente e revelou que possui mais de 30 livros planejados para publicação entre 2026 e 2028, principalmente de forma on-line, em plataformas como a Amazon. O autor explica que publicar livros físicos exige um alto custo e muito tempo para divulgação. Quando lançou as primeiras obras, passou cerca de três anos viajando pela região, vendendo exemplares de porta em porta em aproximadamente 20 municípios do Oeste do Paraná, chegando a comercializar cerca de cinco mil livros.

Além de poesias e frases, Dirceu também escreve romances, contos, crônicas e começou recentemente a produzir peças de teatro. O processo criativo, segundo ele, antes acontecia de forma bastante aleatória, mas hoje mantém uma rotina mais organizada, reservando diariamente um tempo para a leitura e a escrita. Outro detalhe destacado pelo autor é que praticamente todo o processo de produção das obras é feito por ele mesmo, desde a escrita e as revisões até a diagramação e a criação das capas.

Entre os escritores que mais o inspiraram, estão Machado de Assis, Fernando Sabino, Érico Veríssimo e Luís Fernando Veríssimo, autores conhecidos pelo humor e pela crítica social presentes em suas obras. Inclusive, Dirceu afirma que sua principal característica como escritor é justamente unir a crítica e o humor em seus textos.

Embora tenha dificuldade em escolher um texto favorito, destaca a poesia Simples Encantamento, considerada especial por retratar a evolução da vida no interior até a realidade urbana e as possibilidades de transformação no futuro. Durante a entrevista, o escritor chegou a recitar alguns trechos da obra, compartilhando um pouco da sensibilidade e da visão crítica que marcam sua trajetória literária.

Confira a coluna da Giovanna Mainard

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