Esporte | Espanha
Quinta-feira, 16 de Julho de 2026
Como a Espanha relembra seleção de 2010 na corrida pelo título da Copa
Sob o comando de Luis de la Fuente, campeã mundial busca o bicampeonato
Preciso fazer uma confissão. Ao sentar para assistir à semifinal da Copa do Mundo entre Espanha e França, eu estava apreensivo com o que aconteceria.
Os Bleus pareciam imbatíveis, enquanto a La Roja vencia, mas raramente impressionava. Kylian Mbappé liderava a corrida pela Chuteira de Ouro com oito gols, enquanto nossa superestrela – Lamine Yamal – apresentava um desempenho irregular e ainda não havia tido uma atuação realmente decisiva em todo o torneio.
Eu já havia me conformado com uma derrota valente, que salvaria minha reputação – até que a partida começou e terminou com uma vitória de 2 a 0 para La Roja.
Para um torcedor da Espanha, tudo parecia familiar: posse de bola dominante, defesa sólida e pouquíssimos motivos para preocupação.
Isso foi alarmante nos primeiros jogos da Copa do Mundo – principalmente na estreia contra Cabo Verde –, mas depois a equipe seguiu em frente com firmeza, dominando os adversários de forma aberta ou sutil – com um pouco de sorte a seu favor em alguns momentos – rumo às semifinais.
A história me pareceu estranhamente familiar, quase como uma cópia de algo que eu já tinha ouvido antes, então me dei conta: era a Espanha na Copa do Mundo de 2010.
Deixe-me explicar. A La Roja chegou à Copa do Mundo de 2010 como uma das favoritas, após ter conquistado o Campeonato Europeu de 2008 e impressionado o mundo com seu estilo de jogo, em especial com seu meio-campo excepcional – muito parecido com a Espanha em 2026.
Os ibéricos tropeçaram feio na estreia do torneio, sendo surpreendidos pela Suíça com uma derrota por 1 a 0, o que trouxe à tona fantasmas de fracassos passados em competições para os torcedores espanhóis. O técnico veio a público e tentou acalmar os ânimos, dizendo: "Não era o nosso dia... a Copa do Mundo ainda não acabou" – assim como a Espanha em 2026.
Os ânimos se acalmaram e a equipe iniciou uma sequência de vitórias, na maioria das vezes por um gol de diferença, rumo às semifinais contra um gigante europeu – muito parecido com a Espanha em 2026.
Na semifinal contra um adversário tradicionalmente temido pela Espanha, a Alemanha, que havia derrotada recentemente pelos espanhóis viu os rivais dominarem a posse de bola e controlarem a maior parte da partida. Os alemães, porém, tiveram chances de gol, mas não conseguiram marcar. Não preciso repetir o que aconteceu no final.
Os paralelos entre o desempenho desta equipe e o dos heróis nacionais de 2010 são impressionantes, só que há um detalhe a mais.
Esta equipe evoluiu daquela potência do tiki-taka que dominou o esporte de 2008 a 2012, e basta olhar para a Eurocopa de 2024 para ver como.
Acabou-se o futebol repetitivo, desgastante e baseado na posse de bola, que muitos países e clubes já sabiam como neutralizar. Em seu lugar, surgiu um futebol dinâmico, com jogadores de lado no ataque, um futebol empolgante que encantou o mundo.
A constante no DNA espanhol sempre foi um meio-campo forte e uma defesa subestimada, que permitia às equipes vencerem de maneiras únicas, mas a conquista da Euro 2024 teve dois craques por trás dela: Lamine Yamal e Nico Williams.
Infelizmente, às vésperas da Copa do Mundo deste ano, nossas duas estrelas nas laterais estavam lesionadas. Luis de la Fuente as trouxe para a América do Norte e, felizmente, tem sido paciente em seu retorno.
Infelizmente, na primeira partida contra Cabo Verde, o técnico da Espanha tentou manter o estilo que vinha utilizando na Euro 2024, apesar da ausência de suas duas principais armas, e pagou o preço – sem a velocidade e a capacidade de criar jogadas do nada, o desastre inevitável aconteceu.
Embora muitos tivessem sérias dúvidas de que De la Fuente seria capaz de se adaptar – chegando a lamentar a saída do ex-auxiliar técnico Pablo Amo, considerado por muitos o verdadeiro mentor da conquista da Euro 2024 – ele retornou de forma brilhante às raízes da Espanha, ao mesmo tempo que imprimiu seu próprio toque à equipe.
A equipe dominou a França e causou inúmeros problemas e frustrações, resultando, no fim das contas, em uma mera sombra do time que havíamos visto no início do torneio. Fabián Ruiz e Dani Olmo foram imensos, mas Rodri, em particular, foi o principal jogador da La Roja.
O craque do Manchester City está de volta à sua melhor forma, a mesma que o levou a ganhar a Bola de Ouro de 2024, comandando o meio-campo, proporcionando uma conexão incrível entre o ataque e a defesa e até mesmo irritando os jogadores franceses com algumas jogadas de efeito perto do final da partida.
A defesa mostrou-se sólida mais uma vez, graças a algumas atuações inspiradas de Aymeric Laporte, Pau Cubarsí, Pedro Porro, Marc Cucurella e Unai Simón – embora o goleiro do Athletic Bilbao provavelmente tenha tirado uns três anos da vida de muitos torcedores espanhóis com algumas de suas atuações esta noite.
A magia pelas bandas: Yamal teve uma atuação irregular, mas lampejos de seu gênio brilharam na partida, incluindo a jogada brilhante que resultou no pênalti, que colocou a Espanha em vantagem definitiva. Williams entrou em campo aos 83 minutos e mostrou-se bastante promissor, certamente o suficiente para mais do que uma participação relâmpago na final de domingo (19).
Se Yamal mostrar todo o seu potencial no MetLife Stadium, a La Roja terá boas chances de conquistar sua segunda estrela Michelin.
No fim das contas, o que fará desta equipe mais do que uma estranha coincidência de 2010 e um mero reflexo do passado será uma vitória no domingo em East Rutherford. O que tornaria tudo ainda mais inexplicável seria se fosse contra outro adversário europeu, por mais um gol de diferença (Inglaterra, estamos de olho em você).
Mas para mim e para muitos outros torcedores da Espanha, uma vitória é uma vitória, e quem se importa se repetirmos o que aconteceu há 16 anos? Afinal, a única coisa que queremos que se repita é o orgulho e a alegria exuberante de sermos campeões mundiais novamente.
CNN








