Internacionais | Brasileiro na guerra

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026

Brasileiro vai à guerra da Ucrânia atrás de 'adrenalina', passa fome, perde 28kg, vê amigo morrer e foge do próprio exército

O baiano Redney Miranda tinha um sonho antigo de se tornar militar — frustrado por não conseguir ingressar no Exército brasileiro. Sem experiência alguma, decidiu ir para a Ucrânia movido, segundo ele, por adrenalina.

Desde moleque, assistindo filmes, eu tinha vontade de servir o Exército. Não consegui aqui e não deixei esse sonho para trás”, disse.
O plano era ficar 30 dias. Permaneceu 172, quase seis meses. Durante esse período, viveu sob bombardeios, perdeu 28 kg e presenciou a morte de colegas. Saiba mais abaixo.

‘A comida era ração militar’
Segundo Redney, a alimentação era precária e, em alguns momentos, praticamente inexistente.

A comida era ração militar. Passei a ficar três dias só com o tempero do macarrão instantâneo”, contou.
Ao retornar ao Brasil, o baiano havia perdido cerca de 28 quilos.

Cheguei com 90 quilos e voltei com sessenta e poucos”, afirmou.
Situações de risco e perdas
Além da fome, Redney relata que viveu situações constantes de risco. Em um dos ataques, foi ferido por estilhaços de granada e chegou a ficar temporariamente com parte do corpo paralisada. Ele presenciou a morte de 17 colegas — entre eles o paranaense Wagner, o Braddock.
Ele saiu da trincheira sem equipamento e um drone atingiu. Estava sem colete, sem nada", conta.

Fuga sob risco e confronto com ucranianos
O retorno ao Brasil, no entanto, não foi simples. O combatente diz que tentou deixar a linha de frente e acabou perseguido por soldados ucranianos.

A gente teve que correr dos próprios ucranianos. Tivemos que lutar contra eles para conseguir fugir da trincheira e ir para uma cidade mais próxima”, afirmou.
O baiano conseguiu deixar o país e voltou ao Brasil em janeiro. A mãe afirma que passou meses sem notícias do filho e que acreditava que ele não voltaria vivo.

A gente acha que não vem mais. Só imagina coisa ruim”, disse Jaída Miranda, mãe de Redney.
Um sonho que virou trauma
Durante a permanência no front, Redney mantinha contato com a filha pequena por chamadas de vídeo. A menina chamava a trincheira onde ele se escondia de “buraco”.

Eu não posso sair de casa, que ela fica ligando e fala: ‘Papai, você foi para o buraco de novo?’”, relatou.
De volta ao Brasil, ex-combatentes tentam retomar a rotina. Redney ainda sofre com as lembranças da guerra.

Fonte: G1