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Quinta-feira, 02 de Abril de 2026
Artemis II: Nasa lança a primeira missão lunar tripulada em meio século
A Artemis II finalmente decolou. Pela primeira vez desde 1972, quatro humanos estão a caminho da Lua — e os próximos dez dias prometem momentos históricos.
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Mas quando exatamente os astronautas vão ver a Lua de perto? O que acontece entre o lançamento desta última quarta-feira (1º) e o pouso no Pacífico, no dia 10 de abril?
Dia 1 - O que aconteceu logo após o lançamento
A cápsula Orion saiu do chão às 19h24 (horário de Brasília) no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo do foguete SLS, o mais poderoso já operado pela NASA.
A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. A missão não prevê pouso lunar: o objetivo é testar todos os sistemas da Orion em voo tripulado no espaço profundo antes de uma tentativa de pouso em missão futura.
"É o primeiro passo, uma missão de teste. Nunca houve humanos voando nesse sistema antes", disse Jared Isaacman, administrador da NASA.
Nos primeiros minutos de voo, o foguete foi descartando componentes em sequência.
Com dois minutos de voo, os propulsores laterais se separaram a 13 quilômetros de altitude. Com três minutos, o sistema de escape da cápsula foi descartado a 48 km de altura.
Aos oito minutos, já no espaço exterior, o estágio central do foguete se desprendeu a 153 km de altitude e 28.500 km/h.
Três horas e vinte minutos após a decolagem, o estágio superior também se separou — e a cápsula Orion ficou finalmente sozinha em órbita da Terra.
Dia 2 (2 de abril)
A manobra mais importante da fase inicial acontece nesta quinta. O motor principal da Orion será acionado para a chamada injeção transluna — uma queima que tirará a nave da órbita terrestre e a colocará em rota definitiva para a Lua.
É uma virada sem volta: a partir desse momento, a gravidade da Terra e da Lua guiará a cápsula em uma trajetória de retorno livre, ou seja, mesmo que os motores falhem depois, a nave voltará para casa naturalmente.
"A queima que nos leva à Lua é também a nossa queima de reentrada", explicou a astronauta Christina Koch. "Antes mesmo de partirmos, já estamos reentrado — e reconhecer isso exige que toda a equipe esteja pronta para a missão completa desde o início."
Dias 3 a 5 (3 a 5 de abril) — Viagem pelo espaço profundo
Com a rota definida, a tripulação seguirá em direção à Lua testando sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação fora do alcance de satélites terrestres.
Os astronautas também praticarão procedimentos de emergência e manobras de pilotagem manual, com pequenas queimas de ajuste de rota ao longo do caminho.
No final do dia 5, a Orion entra na esfera de influência gravitacional da Lua, o ponto em que a atração lunar passa a ser maior do que a terrestre.
Dia 6 (6 de abril) — O momento mais esperado: a Lua na janela
Este é o ponto alto de toda a missão. A Orion passará entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície lunar.
Da janela da cápsula, a Lua aparecerá com o tamanho de uma bola de basquete segurada com o braço esticado.
Mas há um detalhe que torna esse momento ainda mais intenso: ao passar pelo lado oculto da Lua, a nave ficará sem comunicação com a Terra por cerca de 30 a 50 minutos, bloqueada pelo próprio corpo lunar.
"Para os 45 minutos em que estaremos mais perto da superfície lunar, também estaremos fora de contato", disse Victor Glover, piloto da missão. "Eu adoraria que o mundo inteiro pudesse estar torcendo e rezando para que a gente restabeleça o sinal."
Nesse período, os astronautas fotografarão e observarão regiões do lado oculto da Lua que nunca foram vistas por olhos humanos.
A tripulação também tentará capturar novas imagens da chamada Ascensão da Terra, o planeta surgindo sobre a superfície lunar desolada.
Dias 7 a 9 (7 a 9 de abril) — O caminho de volta
Após o sobrevoo lunar, começa o retorno. A Orion não precisará de uma grande queima de motor: a gravidade fará o trabalho.
A tripulação continuará realizando testes de pilotagem, avaliações dos sistemas de energia e controle térmico, além de pequenas queimas de correção de trajetória para preparar a reentrada.
Dia 10 (10 de abril) — Reentrada e amerissagem no Pacífico
O encerramento da missão está programado para sexta-feira, dia 10 de abril. Nessa fase, o módulo de serviço da Orion se separará e se destruirá na atmosfera.
A cápsula tripulada entrará em velocidade de cerca de 40.000 km/h, aquecendo o escudo térmico a aproximadamente 1.650°C — um dos principais testes de todo o programa.
Paraquedas serão acionados para desacelerar a descida até o pouso no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, na Califórnia.
Equipes da Marinha americana estarão posicionadas para recuperar a cápsula em menos de duas horas.
"Este é meu momento favorito da missão", disse Daniel Flores, diretor de testes da NASA. "Nossos amigos estão voando ao redor da Lua. É quando vamos trazê-los de volta para suas famílias."
G1








