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Segunda-feira, 29 de Junho de 2026

Análise: na briga contra Antonelli, Russell torce por avanço de Verstappen e Ferrari

Jornalista Rodrigo França comenta declaração do piloto britânico sobre ter rivais na briga pelo título e avalia os destaques da etapa austríaca

Um piloto Mercedes torcendo pela melhora de Red Bull e Ferrari? Pode parecer estranho, mas foi o próprio George Russell quem disse isso logo após sua vitória no GP da Áustria de F1, disputado neste domingo no Red Bull Ring.

Na entrevista coletiva depois da corrida, perguntei ao britânico se preferia ter uma Mercedes dominando as próximas corridas ou ver Verstappen e Ferrari também na briga pela vitória e “roubando” pontos de Antonelli. A resposta não surpreendeu.

— Gosto de uma boa briga e sempre foi assim, contra vários pilotos, no kart, F3, F2, etc — disse o piloto de 28 anos.

De fato, Russell sabe que, em um dia positivo para ele como o da corrida austríaca, ter dois ou três carros entre ele e Antonelli fará sua desvantagem no campeonato diminuir mais rapidamente.

De uma certa forma, Russell parece ter entendido que, em velocidade pura, talvez Antonelli já esteja em um ponto superior ao seu. Mas nem tudo é sobre velocidade na F1 e a experiência se mostrou decisiva tanto na conquista da pole position no sábado quanto na administração desta vantagem na corrida de domingo.

Você pode até questionar se a FIA deveria ter dado dupla bandeira amarela no trecho do acidente de Max Verstappen no Q3 no sábado. Mas, a partir do momento em que não havia essa sinalização, Russell fez o certo e seguiu com sua volta e garantiu a pole. Antonelli certamente não cometerá mais esse erro, mas, saindo atrás de seu companheiro de equipe e das duas Ferraris, teve um domingo bem mais trabalhoso no Red Bull Ring.

Tanto que, na entrevista após a corrida, o chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff, disse que Antonelli se precipitou nas primeiras voltas com excesso de ataque —como chegou bem perto de Max Verstappen no final, talvez Antonelli pudesse garantir uma dobradinha para o time e minimizar o prejuízo na briga contra Russell.

Será interessante ver a sequência do campeonato com duas pistas bem tradicionais e velozes, onde a Mercedes tende a ser o carro dominante. Será que no duelo direto mais uma vez Antonelli levará a melhor ou a reação de Russell na Áustria colocará pressão no italiano?

Se o brilho das vitórias do italiano rendeu comparações com seu ídolo, Ayrton Senna, não é exagero dizer que Russell está usando contra ele uma arma justamente do grande rival do brasileiro, Alain Prost: corridas cerebrais, usando a experiência a seu favor, tendo completado 160 GPs neste domingo.

Outro grande destaque do domingo foi Verstappen. Uma corrida agressiva, como aliás o holandês sempre faz no Red Bull Ring. Seja motivado pela corrida em casa da sua equipe, pela invasão da torcida holandesa ou mesmo por uma pista “old school”, com curvas desafiadoras, Max conseguiu um excelente segundo lugar e mostrou que sua equipe ainda pode surpreender em 2026. “Foi a primeira vez que senti que a gente poderia brigar pela vitória”, disse.

Já a decepção do dia foi a Ferrari. O time chegou com grande expectativa após a vitória em Barcelona, mas o diferencial do time no GP anterior foi justamente o ponto fraco no Red Bull Ring: a aderência dos pneus. Com uma estratégia de três paradas (contra duas dos rivais), tanto Hamilton quanto Charles Leclerc sofreram com o ritmo de prova e chegaram em colocações abaixo do grid.

Menos mal que Hamilton ainda esteja em boa posição no campeonato, tendo perdido a vice-liderança para Russell por poucos pontos. Mas as próximas duas corridas serão em pistas de alta velocidade e longos trechos de reta, onde a deficiência da unidade de potência da Ferrari deve complicar ainda mais as coisas para o time de Maranello.

Já a Audi teve na Áustria o seu melhor GP do ano. É verdade que, ao contrário de Melbourne, Bortoleto ficou sem pontos, ficando pela terceira vez seguida na ingrata 11ª colocação. Mas, ao contrário de GPs anteriores, o ritmo de prova do brasileiro foi forte e poderia ter rendido até melhores colocações do que a corrida em Albert Park, onde houve mais quebras e acidentes entre os dez melhores do grid. Mesmo sem pontos, o brasileiro exaltou a melhora da unidade de potência e em especial da largada, que vinha sendo o ponto fraco do time nos últimos GPs.

A F1 agora vai ao seu palco mais tradicional, Silverstone. Entre os milhões de britânicos fãs de automobilismo esperando por um grande final de semana, um deles sabe que o GP da Grã-Bretanha de 2026 pode ser decisivo em sua carreira: é a hora de Russell seguir mostrando que a experiência pode fazer a diferença em um esporte em que cada detalhe conta – e esta história já foi contada muitas vezes nos mais de 75 anos de categoria.

Portal G1