Esporte | Fórmula 1
Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
Análise: com vitória histórica, Hamilton mostra que quem é rei nunca perde a majestade na F1
Jornalista Rodrigo França comenta triunfo marcante do heptacampeão, que superou início frustrante pela Ferrari e reencontrou a melhor forma na temporada de 2026
A tão esperada vitória de Lewis Hamilton com a Ferrari veio em Barcelona. É verdade que o safety car virtual foi perfeito para sua estratégia de três paradas, mas o britânico já seria candidato natural à vitória mesmo se tivesse que fazer um pit stop “normal”, já que teria pneus melhores justamente na parte final da corrida.
Como o piloto que mais venceu na história da F1, Hamilton comemorou a sua 106ª vitória na F1 como um estreante. E de fato o primeiro lugar na Catalunha entrou para a história por ser a primeira com a escuderia italiana, mas também pelo momento em que ele viveu na última temporada, quando até mesmo ele duvidou de sua capacidade.
Muitos de seus críticos parecem ter esquecido a história do piloto de origem humilde que, com suas vitórias ainda criança no kart, chamou atenção de Ron Dennis, chefe da McLaren, e conseguiu investimentos do time para subir nas categorias de base, sendo campeão da F3 Europeia e GP2 (atual F2) para chegar na F1. O resto foi história: sete títulos mundiais e, nos números, a carreira mais vitoriosa do automobilismo mundial.
Mas o esporte a motor pode ser cruel e, com o ditado, “você é tão bom quanto seu último resultado”, Hamilton sofreu com a falta de resultados, especialmente no ano passado, seu ano de estreia na Ferrari. Cercada de muita expectativa, a união do piloto com mais vitória na história da F1 com o time mais tradicional do grid parecia fadada ao fracasso.
O novo regulamento, que trouxe a maior mudança dos carros em 75 anos de história da categoria, deu a chance de Hamilton voltar a mostrar sua essência de campeão. Como a gente vinha destacando há algumas corridas, o inglês mostrava desde o bom desempenho no Canadá que vem vivendo sua melhor fase na Ferrari, com um novo engenheiro de corrida, mudando seu método de trabalho com o time (inclusive usando menos simuladores) e voltando a acreditar em seu talento.
Há mais de 30 anos um piloto de 41 anos não subia no topo do pódio da F1, com Nigel Mansell sendo o último em 1994 com a Williams. Da experiência de Hamilton, ninguém duvidava, mas agora ele mostra que a velocidade e vontade de vencer são dignas de um jovem talento.
Com a quebra de Kimi Antonelli e chegando à frente de George Russell, Hamilton se vê novamente em uma posição boa no campeonato, com a vice-liderança e tirando 25 pontos de vantagem do italiano só neste GP. O campeonato é longo, e se a Ferrari mostrar a mesma competitividade nos próximos GPs, não é difícil imaginar Hamilton brigando pelo seu oitavo título mundial. Vale lembrar que um carro que anda bem em Barcelona costuma ter boa performance em diversos circuitos do calendário, especialmente nos circuitos permanentes desta fase europeia do Mundial.
Para Russell, o final de semana parecia mais promissor após a pole no sábado e ter sido constantemente mais rápido que Antonelli nos treinos. Mas na corrida o italiano mostrou maturidade ao atacar na hora certa e teria terminado na frente do britânico não fosse a quebra no finalzinho da prova.
Foi ruim perder os pontos em um campeonato que tende a ser acirrado, é verdade, mas Antonelli sai de Barcelona com moral alta, tendo reagido bem na corrida após ficar atrás de seu companheiro de equipe nos treinos. Em 2026, como já destacamos, a confiabilidade dos carros vai voltar a fazer diferença, como na F1 de 30 anos atrás – no caso dos pilotos da Mercedes, este placar está 1x1 e Antonelli segue com boa vantagem na tabela.
A quebra do italiano garantiu um pódio 100% britânico, com Lando Norris chegando na terceira colocação, em um bom resultado para o atual campeão, mas ainda aquém do que se esperava da McLaren nesta pista. O mesmo pode ser dito da Red Bull, com Max Verstappen chegando em quarto, mas longe de brigar pelas ponta em todo final de semana.
Para Gabriel Bortoleto, a corrida rendeu mais uma colocação batendo na trave dos pontos, com o 11º lugar. Seu destino no domingo mais uma vez foi definido após uma largada lenta, algo que a Audi busca solucionar desde o início da temporada. Perdendo muitas posições no começo, o brasileiro acabou preso em um pelotão com carros mais lentos, saindo da pista em uma disputa com Esteban Ocon e perdendo a chance de estar no top-10. De positivo, mais uma vez a constatação que em ritmo de prova a Audi tem evoluído bastante a cada GP.
A próxima etapa será no circuito de Spielberg, daqui a duas semanas. Será interessante notar se de fato Lewis Hamilton vai ser o intruso na briga pelo campeonato contra os dois pilotos da Mercedes. Com seus sete títulos mundiais na bagagem, ele usará a experiência como grande trunfo na luta contra dois pilotos que ainda sonham com seu primeiro título na F1.
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