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Quinta-feira, 08 de Novembro de 2018

Unicamp reivindicará para novo governador aumento de repasse e abertura de Bom Prato, diz reitor

A Unicamp planeja reivindicar ao governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), um aumento de repasse prometido em 2005 pelo estado, ainda não efetivado, para tentar reequilibrar as contas da universidade após reflexos da crise econômica.

Ao G1, o reitor, Marcelo Knobel, destacou que também espera por um acréscimo no aporte para aplicação no Hospital de Clínicas (HC), referência em atendimento para 6 milhões de habitantes, e negociar a abertura de um restaurante Bom Prato.

O documento assinado em dezembro de 2005 tinha como objetivo consolidar a implantação do campus de Limeira (SP), onde foram abertas 480 vagas, um acréscimo de 17% no total oferecido até então. Essa foi a maior adição de cadeiras já realizada de uma só vez pela instituição estadual.

À época, o acordo previa que, a partir de 2006, o governo acrescentaria na Lei Orçamentária Anual um adicional de 0,05% na cota-parte da universidade no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado nos municípios paulistas. O índice atual segue em 2,1% do total.

"Sem dúvidas [reivindicar aumento]. Temos a solicitação que o Cruesp [Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas] enviou à Assembleia Legislativa [Alesp], reiterando a promessa feita há muito tempo, de repasse, quando houve a expansão do ensino superior público no estado. Ela é de 9,95% da cota-parte, o que incluiria o percentual do campus de Limeira", destaca Knobel.

O governo de São Paulo transfere atualmente 9,57% por mês ao grupo, incluindo Unesp e USP, e a alta na transferência também dependeria de aprovação do projeto pela Alesp, lembra o reitor.

O campus de Limeira foi inaugurado em 2008 e nele estão instaladas as faculdades de Ciências Aplicadas (FCA) e a Faculdade de Tecnologia (FT). Com base em dados do primeiro semestre, a Unicamp estima déficit orçamentário de R$ 242 milhões no atual exercício e calcula necessidade de pelo menos R$ 48 milhões para tirar do papel ou concluir obras atrasadas desde 2016.

Demandas na Saúde

A demanda financeira da Unicamp também passa pelo aumento na quantidade de recursos destinados para a área da saúde. Referência para Campinas (SP) e macrorregião de 86 municípios, o HC consome quase 20% dos R$ 2,2 bilhões projetados como receitas da universidade neste ano.

"A área de saúde está subfinanciada e a gente pretende mostrar estes dados ao novo governador", destaca Knobel sem, contudo, indicar suposta meta de valor necessário para dar fôlego ao caixa da Unicamp. "Sabemos que há outras demandas importantes", pondera sobre o cenário do estado.

Bom Prato

Knobel também falou durante a entrevista que há conversas avançadas com o governo para a criação de uma unidade do Bom Prato no campus de Campinas (SP). Segundo ele, o objetivo é complementar a estrutura da universidade, que hoje conta com restaurantes universitários.

No ano passado, entre uma série de medidas para tentar aliviar as despesas, a universidade aprovou aumento de R$ 2 para R$ 3 no valor das refeições, exceto para grupo que tem direito à isenção.

"A gente já discutiu com o governo e esperamos continuar com a nova equipe", destaca Knobel ao sinalizar que a unidade deve ficar perto do HC, com objetivo de atender aos pacientes e parentes que são atendidos na unidade ou no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism).

A assessoria do governo informou que a abertura do restaurante foi autorizada e está previsto para 2019. Atualmente, a cidade conta com uma unidade na Rua Moraes Sales, onde serve diariamente 2,1 mil almoços e 300 cafés da manhã. Em setembro, o repasse foi de R$ 196,7 mil.

Avaliação

Procurada pelo G1, a assessoria de João Doria informou que as demandas da universidade serão avaliadas pela gestão quando forem recebidas. O ex-prefeito da da capital paulista foi eleito em 28 de outubro após receber 10.990.160 votos, o que corresponde a 51,75% dos votos válidos.

Clique e confira entrevista de João Doria ao EPTV 2, em 19 de outubro, sobre planos para a região.

G1

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