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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019

"Um absurdo", diz prefeita de Quedas do Iguaçu sobre a cassação pela compra de 6,5 toneladas de bolo

A prefeita de Quedas do Iguaçu, Marlene Revers (Pros) classificou de absurda a condução das investigações sobre a compra de 6,5 toneladas de bolo e 36 mil salgadinhos.

Marlene chegou a ter o mandato cassado pela Câmara de Vereadores no dia 6 por omissão e negligência na defesa de bens e interesses do município e por proceder de modo incompatível com a dignidade e decoro do cargo ao permitir os gastos considerados excessivos.

"Um absurdo. Foram mandadas para eles [vereadores da Comissão Processante] umas dez pastas pela Assistência Social, que é bem organizada, com fotos, com assinatura de presença, relatório de todos os programas, a soma das notas. Foi mandado tudo", justificou.

O juiz Vitor Toffoli determinou ainda que seja marcada uma uma nova sessão de votação do parecer da Comissão Processante. A Câmara Municipal recorreu da decisão.

A prefeita e o marido, Vitório Revers, que é secretário de Administração, alegam que a cassação foi uma retaliação política da Câmara, já que a oposição é maioria no Legislativo municipal.

"Como a gente permaneceu firme na administração, não cedendo a certos pedidos, sentimos que era um momento em que queriam nos prejudicar", destacou.

A prefeitura admite que houve falha na emissão das notas e na descrição dos gastos e determinou que a partir de agora as notas sejam emitidas respeitando o que é adquirido pela administração.

De acordo com a coordenadora do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Marcelaine Reguelin, a quantidade de bolo apontada na investigação foi consumida em uma no e meio e não em dez meses, como apontam as notas fiscais apresentadas.

Como o mercado que venceu a licitação para entregar os doces e salgados não emitia notas todos os meses, em alguns períodos as requisições eram acumuladas e apresentadas juntas, o que conforme a coordenadora explica, por exemplo, os 1,4 mil kg de bolos que aparecem nas notas de fevereiro de 2018.

"Algumas vezes eles ligavam e falavam que não iam emitir a nota porque estavam com alguma certidão negativa e por isso a prefeitura não conseguiria fazer os pagamentos", completou.

Neste período, alegou, também houve um aumento no atendimento a famílias carentes da cidade - de quatro grupos em 2016 para 20 em 2019 e que lanches com bolos e salgadinhos são oferecidos com frequência em eventos que vão desde aniversários de crianças acolhidas em casas abrigo como em reuniões e cursos da pasta.

"As mulheres iam lá, faziam o curso, levavam seus filhos junto e a gente tinha uma espécie de creche itinerante, onde as crianças ficavam com oficineiros que cuidavam delas. E, a gente oferecia lanche para as mães e as crianças", explicou.

O dono do mercado responsável pelas notas afirmou que as certidões negativas têm data de vencimento e que por isso era normal deixar acumular pedidos e então emitir as notas fiscais depois de a situação estar regularizada.

A Câmara de Vereadores informou que todos os vereadores receberam o processo integramente, incluindo a defesa da prefeita, e que tiveram 20 dias para analisar a documentação.

Sobre as acusações de Marlene e do marido, a direção da Casa negou que houve perseguição política.

G1 Paraná