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Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2019

Rio Pinheiros tem mais sujeira entre pontes do Jaguaré e Ary Torres, diz governo de SP

O governo de São Paulo divulga nesta segunda-feira (2) o mapeamento do Rio Pinheiros com os trechos mais sujos. Segundo o governo, os trechos que vão demandar maior atenção estão entre as pontes do Jaguaré e Ary Torres, especialmente nas desembocaduras dos córregos Jaguaré e Pirajuçara.

São nesses pontos que o Pinheiros está mais raso por causa da poluição dos córregos e transporte de maior volume de sedimentos. Os trechos mais profundos são justamente aqueles mais afastados dos córregos.

O mapeamento do Rio Pinheiros vai permitir a identificação das áreas e córregos prioritários no projeto de despoluição da gestão de João Doria (PSDB).

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) foi a responsável pelo trabalho de batimetria, ou seja, a medição da profundidade do Rio Pinheiros para reconhecer aonde está mais raso, o que indica maior concentração de sujeira. A profundidade ao longo dos 25 km do curso d'água varia de 2 a apenas 1 metro.

Limpeza do fundo

A batimetria deve otimizar o serviço de desassoreamento, que é a remoção dos resíduos do fundo do rio e que já está em andamento desde meados deste ano.

“O desassoreamento vai dar capacidade ao rio, permitindo maior volume de água, que ele corra com maior velocidade e que dilua melhor a poluição”, explicou Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente.

Duas empresas realizam a 1ª etapa do desassoreamento – uma cuida do canal inferior do Pinheiros (entre o Cebolão e a Ponte Ary Torres) e a outra do canal superior (entre a Ponte Ary Torres e o reservatório Billings).

O prazo para conclusão da primeira fase do desassoreamento é de um ano, ao custo de aproximadamente R$ 30 milhões. Até meados de 2020, as empresas devem remover 500 mil m³ de sujeira, cerca de 15% dos resíduos que se acumulam no fundo do Rio Pinheiros.

“Até agora, as empresas retiraram cerca de 120 mil m³. Neste momento estamos buscando parceiros para fazer o desassoreamento complementar, que é tratar os sedimentos removidos”, disse o secretário Marcos Penido. “Há possibilidade de reaproveitar 80% do que é tirado do fundo do Rio Pinheiros: lava, trata e faz bloco de concreto ou areia para obras da construção civil, por exemplo”, continuou.

De acordo com a EMAE, a maior parte do que é removido do fundo do Rio Pinheiros é areia, mas o desassoreamento tem revelado pneus, bicicletas, eletrodomésticos, portas, camas e colchões.

Saneamento básico

Mapear e limpar o fundo do Rio Pinheiros é somente uma parte do ambicioso projeto de despoluição, que depende, sobretudo, do saneamento básico e da limpeza dos córregos que alimentam o curso do d’água.

Conforme o G1 antecipou em agosto, o projeto prevê a despoluição dos afluentes do Pinheiros em uma ação conjunta entre Sabesp, EMAE, Cetesb, Prefeitura de São Paulo e Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

De acordo com o Governo do Estado, enquanto a EMAE cuida do corpo do rio, a Sabesp está tratando dos afluentes, com a expansão da rede de esgoto na Bacia Hidrográfica do Rio Pinheiros, e a proposta de instalar 'miniestações' de tratamento diretamente junto aos córregos que atravessam áreas informais.

Ainda em agosto, Doria disse que conseguiu R$ 1,5 bilhão para o saneamento básico de que depende o projeto de despoluição e que o saneamento da bacia do Rio Pinheiros foi dividido em 14 lotes de licitações.

G1