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Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2019

Resumo do futebol internacional: a vida continua para Pochettino, Pratto e os meninos de Maastricht

O esporte deixa muitas lições, e dizem que as derrotas ensinam mais que as vitórias. No último sábado, os pequenos jogadores do time sub-12 do MVV Maastricht, da Holanda, sofreram um daqueles golpes difíceis de suportar: levaram uma goleada histórica de 50 a 1 para o Ajax. Dá para imaginar a tristeza das crianças, ainda no início de uma caminhada povoada de sonhos de títulos e glórias nos gramados, despertadas pela cruel realidade de uma derrota humilhante.

Levantem a cabeça, meninos de Maastricht! O futebol oferece muitas oportunidades de recomeço. Aos jogadores do Ajax, parabéns pela goleada, mas aprendam também que a estrada do futebol continua longa, cheia de altos e baixos. Querem dois bons exemplos? Ambos são argentinos, são profissionais consagrados, vêm de uma temporada de muitas alegrias, mas sofreram dois grandes baques recentemente. Ainda assim, mostraram neste fim de semana que existe vida após as derrotas.

Mauricio Pochettino, tricampeón leproso y entrenador de talla mundial, se encuentra en el estadio Marcelo Bielsa para observar el partido de #Newells.

Um deles é o técnico Maurício Pochettino. Nos últimos cinco anos, esteve à frente do Tottenham Hotspur. Virou ídolo da torcida, querido por todos no clube, especialmente depois de levar a equipe londrina à sua primeira final de Liga dos Campeões da Uefa, em maio deste ano. Perdeu o título para o favorito Liverpool, mas todos sabiam que a tarefa era realmente difícil.

Foi um vice-campeonato honroso de um Tottenham que já tinha dado orgulho à sua torcida, ao superar numa semifinal emocionante justamente o Ajax. A temporada seguinte tinha tudo para consolidar o Tottenham em outro patamar, mas tudo começou a dar errado, e Pochettino foi demitido do clube que aprendeu a amar e onde ainda é amado pela torcida.

A vida continua, não é mesmo? E o futebol faz parte do recomeço de Pochettino. O técnico argentino ainda não sabe em que clube voltará a trabalhar, mas sabe bem onde recarregar as energias para o próximo desafio: no lugar onde tudo começou. No sábado, Pochettino foi ao estádio Marcelo Bielsa, em Rosario, assistir ao jogo do seu Newell's Old Boys, onde começou a carreira de jogador.

- Há muitos clubes e muitos projetos bonitos para assumir mas agora o importante é arejar a cabeça depois de cinco temporadas e meia incríveis no Tottenham. Ter a capacidade de se regenerar, e essa motivação interna é o objetivo - disse Pochettino à imprensa argentina.

- Não tive muito tempo para digerir o que passou. A primeira decisão foi vir para a Argentina, voltar para casa. Foi a melhor decisão, para me desconectar.

O jogo foi contra o River Plate, que uma semana antes viu o título da Libertadores escapar nos últimos minutos contra o Flamengo: vencia por 1 a 0, levou dois gols após os 43 do segundo tempo. No primeiro jogo após essa derrota doída, o River ainda viu o Newell's abrir 2 a 0 no primeiro tempo. Mas o time portenho não desanimou e buscou a virada no segundo tempo: 3 a 2.

- O River demonstrou mais uma vez que responde às adversidades. Estou feliz pelos jogadores, poderia ser fácil cair e fomos fortes. Saímos perdendo mas o time continuou jogando como vinha fazendo, e isso dá muita satisfação - exclamou o técnico do River, Marcelo Gallardo.

Mas o grande personagem deste River que se levanta após uma grande derrota é o atacante Lucas Pratto. Em 2018, foi campeão da Libertadores, fazendo gol nos dois jogos da final histórica contra o rival Boca Juniors. Em 2019, saiu da final contra o Flamengo apontado como um dos responsáveis pela reação do time brasileiro ao perder a bola que gerou o lance do primeiro gol rubro-negro. Depois da vitória sobre o Newell's, Pratto deixou uma lição que todos no esporte devem aprender:

- Eu erro como todos erram. O time estava cansado, eu perdi uma bola que não tinha que perder, e assumo as responsabilidades que me cabem. Assim como fiz quando me coube coisas boas - afirmou o Urso na primeira entrevista que concedeu à imprensa argentina após a final da Libertadores.

- Não era melhor que todos antes, e agora não sou pior. Por sorte, neste elenco somos uma família, e todos me apoiaram sempre.

Lembrem-se disso, meninos de Maastricht. O jogo, o placar, vitórias, derrotas, títulos, voltas por cima... tudo isso faz parte do futebol. E sempre vai ser melhor se houver respeito e apoio, quando se ganha e quando se perde. Como uma família.

Globo Esporte