Brasil | Eleições 2026

Domingo, 04 de Janeiro de 2026

Quais eleições América Latina terá em 2026 (e o quanto Trump pode influir nelas)

Além do Brasil, mais quatro nações latino-americanas devem eleger seus novos presidentes em 2026, incluindo outra das maiores democracias da região, em número de habitantes: a Colômbia.

Nos dois países, as eleições devem enfrentar forte polarização política. Elas deverão definir o poder da esquerda no continente, que hoje comanda os dois governos.

Mas há uma pergunta rondando as urnas da América Latina em 2026: até que ponto chegará a influência de uma figura de fora da região — o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump?

Trump demonstrou sua disposição de impor o peso do seu cargo (e do Tesouro americano) sobre eleições realizadas no continente ao longo do ano passado.

Nas eleições legislativas da Argentina e nas presidenciais de Honduras de 2025, o presidente americano apoiou as forças da direita e alertou que os Estados Unidos cortariam sua ajuda financeira àqueles países, se elas fossem derrotadas.

Nos dois países, as opções respaldadas por Trump saíram vencedoras, da mesma forma que no Equador, com a reeleição do presidente Daniel Noboa.

"Em nível sem precedentes desde o final da Guerra Fria, o governo Trump e o próprio presidente colocaram seu dedo na balança para influenciar os resultados eleitorais e os processos políticos da América Latina", declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Cynthia Arnson, especialista na região da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Neste início de ano, já existem indícios de que Trump poderá tentar influenciar mais uma vez as urnas latino-americanas. A dúvida, neste caso, é se ele continuará obtendo resultados favoráveis.

As primeiras eleições do ano

Brasil, Colômbia, Costa Rica, Peru e Haiti devem eleger presidentes e legisladores em 2026.

As eleições costa-riquenhas são as primeiras a ocorrer. No dia 1° de fevereiro, seus eleitores devem escolher o novo chefe de Estado, dois vice-presidentes e os 57 membros da Assembleia Legislativa do país.

Se nenhum candidato à presidência atingir 40% dos votos, os dois mais votados disputarão o segundo turno, no dia 5 de abril.

Calendário eleitoral latino-americano em 2026

Costa Rica: eleições presidenciais e legislativas em 1° de fevereiro; possível segundo turno presidencial em 5 de abril.

Peru: eleições presidenciais e legislativas em 2 de abril; possível segundo turno presidencial em 7 de junho.

Colômbia: eleições legislativas em 8 de março; primeiro turno das eleições presidenciais em 31 de maio; e possível segundo turno presidencial em 21 de junho.

Haiti: eleições gerais em 30 de agosto; possível segundo turno presidencial em 6 de dezembro.

Brasil: eleições gerais em 4 de outubro; possível segundo turno presidencial em 25 de outubro.

As eleições da Costa Rica talvez marquem a primeira polêmica do ano no continente.

O Tribunal Superior Eleitoral do país solicitou a retirada da imunidade do presidente Rodrigo Chaves, por suposta intervenção indevida no processo eleitoral. Mas o legislativo bloqueou o pedido em dezembro.

Chaves nega ter agido de forma incorreta e não pode concorrer à reeleição. Mas seus bons índices de aprovação podem favorecer a candidata do seu partido à sucessão, sua ex-chefe de gabinete Laura Fernández.

A ex-primeira-dama de centro-esquerda Claudia Dobles, o deputado de ultradireita Fabricio Alvarado, na sua terceira tentativa, e o ex-chefe da previdência social costa-riquenha Álvaro Ramos figuram entre outros possíveis postulantes à presidência do país.

No Peru, uma extraordinária fragmentação política faz com que as eleições de 2 de abril sejam imprevisíveis.

Existe um número recorde de pelo menos 34 candidatos inscritos. O eleito será o nono presidente peruano em uma década.

As pesquisas indicam que, no momento, nenhum deles superaria a metade dos votos no primeiro turno. Por isso, é provável a realização do segundo turno no dia 7 de junho.

Entre os candidatos, destacam-se o prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, declarado simpatizante de Trump, e a direitista Keiko Fujimori, que se candidata pela quarta vez ao cargo que já foi ocupado pelo seu pai, Alberto Fujimori (1938-2024).

Os demais candidatos à presidência do Peru incluem desde um comediante até um ex-goleiro de futebol.

Em um clima de forte apatia política, com a segurança pública no topo das preocupações dos peruanos, é possível que seja eleito um virtual desconhecido, como ocorreu em 2021, com o professor e sindicalista Pedro Castillo.

No ano seguinte, Castillo foi destituído e preso, acusado de tentativa de golpe de Estado.

BBC