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Sábado, 25 de Setembro de 2021

Polícia investiga se houve negligência médica após jovem alegar que deu à luz bebê morto há cinco dias

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar se houve negligência médica relacionada à morte de um bebê ainda dentro da barriga da mãe em Riversul, no interior de São Paulo.

De acordo com a família, Ana Cristina Manoel Monteiro, de 23 anos, procurou o hospital da cidade na semana passada, com dores e perda de líquido, e foi enviada de volta para a casa. No entanto, no dia seguinte, ao ser levada para outro hospital, em Itapeva, a mulher descobriu que o bebê já estava morto há cinco dias e em decomposição, segundo a médica teria dito à paciente.

O diretor de Departamento de Saúde de Riversul, João Augusto de Oliveira, contou ao g1 que a jovem procurou o hospital da cidade no dia 16 deste mês, por volta das 16h30 e também às 19h. Segundo ele, consta nos relatórios médicos que, nas duas consultas, foi verificado que a criança tinha batimentos cardíacos.

Já no dia 17, ainda conforme o diretor, a jovem retornou ao hospital e os médicos não constataram batimentos cardíacos no bebê. Por causa disso, ela foi encaminhada à Santa Casa de Itapeva, unidade referência na região e onde os partos são realizados.

De acordo com a família da jovem, a grávida foi examinada no hospital e a médica disse que o bebê já estava morto há cinco dias, em estado de decomposição.

O g1 entrou em contato com a Santa Casa de Itapeva para verificar a informação, mas a unidade disse que não pode divulgar dados clínicos de pacientes.

A família de Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência sobre o caso no último dia 20. Conforme a Polícia Civil, ainda não há confirmação de negligência médica e tudo será investigado.

“As fichas de atendimento clínico serão avaliadas pelos médicos legistas, que analisarão eventuais irregularidades ou não, bem como as provas testemunhais no curso das investigações”, afirma o delegado Alaor de Aguiar Filho.

Enxoval comprado

Suzana Rodrigues de Almeida da Rosa, mãe de Ana Cristina, disse que a filha estava com 40 semanas e cinco dias de gestação, e o nascimento do bebê estava previsto para o dia 13 deste mês. Por isso, Kalebe Tainan, como se chamaria a criança, já tinha berço e o enxoval completo.

Depois da notícia de que o bebê estava morto, Ana Cristina passou pela indução do parto e deu à luz a criança já sem vida. Segundo a mãe, a jovem tem outros dois filhos, de 6 e 4 anos, e já tinha perdido outro bebê na gravidez.

“A gente quer Justiça porque todo o enxoval já estava comprado, esperando ele chegar, e a gente recebe essa notícia. Eu e minha irmã ficamos ansiosas esperando a ligação da minha sobrinha pra falar que ele tinha nascido, mas aí mandou mensagem dizendo que tinha nascido morto. Foi uma tristeza para a família toda. O irmãozinho sempre fala o nome dele. Não está fácil", relata Suzana.

De acordo com o Departamento de Saúde de Riversul, também foi aberta uma sindicância interna para apurar os fatos. Segundo o diretor João Augusto, caso seja constatado que houve alguma irregularidade no atendimento à paciente, os funcionários serão responsabilizados.

G1