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Sábado, 25 de Setembro de 2021

Líder separatista que declarou independência da Catalunha em 2017 é detido na Itália

Carles Puigdemont, que foi presidente do governo regional da Catalunha durante a declaração de independência frustrada de 2017, foi detido na ilha italiana da Sardenha na quinta-feira (23), após quatro anos foragido da justiça espanhola.

"O presidente Puigdemont foi detido em sua chegada à Sardenha, onde estava como eurodeputado", anunciou seu advogado, Gonzalo Boye, em uma rede social. Boye disse que a detenção na Itália ocorreu em cumprimento a uma ordem judicial europeia de 14 de outubro de 2019.

Puigdemont é atualmente deputado do Parlamento europeu. Ele está morando desde 2017 em Bruxelas, na Bélgica, e viajou a Alguer, na Sardenha, para participar de um festival de cultura catalão, segundo o encarregado de seu gabinete, Josep Lluis Alay.

"Quando chegou ao aeroporto de Alguer, foi retido pela polícia fronteiriça italiana", explicou Alay nas redes sociais. "O presidente será colocado à disposição dos juízes da corte de apelação de Sassari, que é competente para decidir por sua libertação ou extradição".

Repercussão da prisão

O governo da Espanha, que iniciou um processo de diálogo com o governo regional catalão, se limitou a comentar que a detenção "obedece a um procedimento judicial em curso, aplicado a qualquer cidadão na União Europeia que deve responder por seus atos".

O governo do socialista Pedro Sánchez afirmou que "respeita as decisões das autoridades e tribunais italianos, assim como sempre fez com os tribunais espanhóis e europeus".

Após a prisão, separatistas catalães protestaram em frente ao consulado italiano em Barcelona (veja na imagem abaixo). Um outro líder separatista, Quim Torra, pediu a seus correligionários que "ficassem em alerta máximo".

Tentativa de independência frustrada

Puigdemont, de 58 anos, chegou inesperadamente à presidência do governo regional catalão em 2016, após a renúncia de Artur Mas e sem ocupar cargos de liderança.

Ele liderou um movimento separatista em 2017 que causou uma crise institucional na Espanha. O político proclamou a independência da Catalunha e na sequência suspendeu a decisão para negociar com o governo espanhol.

Mas o então governo espanhol, do primeiro-ministro Mariano Rajoy se recusou a dialogar e interveio na administração regional, convocando eleições autônomas e invalidando a tentativa de independência.

Sem imunidade parlamentar

Puigdemont não cumpriu uma decisão da justiça espanhola, para que voltasse ao país, foi eleito eurodeputado e se estabeleceu em Bruxelas, na Bélgica.

Seus companheiros de governo foram julgados e condenados, como o então vice-presidente Oriol Junqueras. O político chegou a ser sentenciado a 13 anos de prisão, mas recebeu indulto do governo espanhol neste ano (assim como os demais indiciados).

Enquanto eurodeputado, Puigdemont deveria gozar de imunidade parlamentar, mas o Tribunal Geral da União Europeia decidiu no fim de julho que ele não tinha esse direito e manteve a suspensão da sua imunidade.

Puigdemont é acusado na justiça espanhola de sedição e malversação de recursos, devido à tentativa de independência da Catalunha em 2017, e há um pedido de extradição contra o político.

RFI com G1