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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

Idosa morre cinco minutos depois do marido em hospital de Passo Fundo

Dois idosos que estavam juntos há mais de 50 anos faleceram quase ao mesmo tempo em um hospital de Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul. Conforme o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Delvino Zanco, de 74 anos, morreu às 9h25 de segunda-feira (10), e Maria Soleni Zanco, de 72 anos, cinco minutos depois. O casal foi sepultado nesta terça-feira (11).

"Eu já tenho 12 anos de formado, e foi a primeira vez que aconteceu um fato muito interessante como esse", reconhece o médico Adriano Lubini, que acompanhava a situação da Maria.

"Casados há tanto tempo e morrerem com tão pouco tempo de diferença... O casal partiu praticamente junto", acrescenta o médico.

Delvino estava internado desde 31 de maio. Ele tinha leucemia. Já a esposa tinha um histórico de três acidentes vasculares cerebrais (AVC) e deu entrada no hospital, com algumas complicações, no dia 6 de junho. Ela faleceu por conta de uma pneumonia.

"Eles estavam internados em quartos diferentes, eram próximos um ao outro, mas quartos diferentes. Então, não teria como saber o que estava acontecendo", observa o médico Adriano Lubini, que acompanhava a situação da Maria.

Os dois já eram aposentados. Anos atrás, Delvino trabalhava como pedreiro, e Maria, como cuidadora de idosos. Um dos filhos, que morava com o casal, conta que eles gostavam de tomar chimarrão na frente de casa e que eram muito companheiros um do outro.

"Saíam de mãos dadas, nas festas de aniversário, sempre juntos, um levando o outro", lembra o filho Valdecir Zanco.

"Era um casal que estava sempre sorrindo, não se queixava de nada. A mãe nunca se queixou. O pai era tipo o 'palhaço' da família", brinca Valdecir.

Antes de partir, Delvino contagiou a equipe do hospital com sua alegria. "O pai fazia piada com todo mundo no hospital. Ele dizia que queria comer costelinha de porco. O pai era bem divertido, brincava com todo mundo", relata o filho, que se revezava com a irmã no acompanhamento dos pais no hospital.

O casal deixa três filhos, quatro netos e dois bisnetos.

'Foi uma emoção', diz enfermeira

Assim como para o médico, a despedida também foi surpreendente para a enfermeira que acompanhou os últimos momentos da família. Com 24 anos de profissão, Rosane Dolci se viu diante de uma situação inédita e de muita emoção.

Ela ficou muito próxima de uma das filhas do casal, que visitou os pais na manhã de segunda-feira. Segundo a enfermeira, a filha já pressentia que os dois partiriam juntos.

"A filha, naquele momento, quando viu que a mãe não estava nada bem, me disse: 'Meu pai também está ruim, eu já estou me preparando, mas eu sei que se um dia acontecer alguma coisa, os dois vão partir juntos. Eu estou sentindo que um está esperando o outro'. Aquilo me deu um choque", conta Rosane.

A enfermeira relata que, pouco antes do falecimento do pai, a filha foi até o quarto visitá-lo. Assim que Delvino partiu, as duas se abraçaram, emocionadas, e, em seguida, Rosane se dirigiu ao quarto de Maria. Quando chegou, a paciente, que estava acompanhada de uma médica, dava o último suspiro.

"Foi uma emoção, eu chorei, pelo fato de ver a filha naquela situação, com o pai e a mãe no mesmo momento", lembra a enfermeira.

"O meu setor, os funcionários, todo mundo ficou abalado, mas era o momento dos dois. Nenhum sofreu com a morte do outro", conclui a enfermeira.

G1

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