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Domingo, 26 de Abril de 2026

Gabriel Medina é batido por australiano na final em Margaret, mas assume ponta do ranking

Tricampeão mundial e medalhista olímpico perde para George Pittar em decisão polêmica sem muitas ondas de qualidade, porém lidera temporada 2026 do CT após duas etapas

Por pouco, Gabriel Medina não encerrou um jejum de três anos sem vencer uma etapa da elite mundial do surfe. No início da madrugada deste domingo (começo de tarde na Austrália), o tricampeão mundial e medalhista olímpico acabou sendo derrotado pelo australiano George Pittar, na decisão de etapa de Margaret River (AUS).

Com polêmica envolvendo a prioridade na escolha de ondas antes da maior nota da bateria, um 9.00 de Pittar, o placar foi 15.17 a 12.46 a favor do surfista local de 23 anos, que levanta seu primeiro caneco no Championship Tour. Para ser campeão, ele bateu nada menos do que quatro brasileiros campeões mundiais em sequência: Filipe Toledo, Yago Dora, Italo Ferreira e Medina.

Apesar do revés na final do segundo evento do CT de 2026, o maior nome da história do surfe brasileiro assumiu a liderança do ranking mundial, com 13.885 pontos, seguido de Pittar e Miguel Pupo, ambos com 13.320, mas com o aussie levando vantagem por ter somado mais pontos nas baterias.

A próxima parada vai ser novamente na Austrália, na Gold Coast, a partir da próxima quinta-feira. Além de Gabriel e Miguel, outros dois brasileiros estão no top 5: Yago Dora, em quarto, e Samuel Pupo, em quinto. Dentre as mulheres, Luana Silva também ficou com o vice em Margaret. Ela ocupa a 4ª posição na temporada.

Brasileiro com mais troféus em eventos regulares do Tour, com 17, Medina não vence uma etapa desde abril de 2023, há três anos, quando foi campeão justamente em Margaret River. volta à final de uma etapa após dois anos e oito meses. A última havia sido em Teahupoo, no Taiti, em agosto de 2023. Na ocasião, ele foi derrotado pelo australiano Jack Robinson.

A decisão

Gabriel abriu a grande final já pegando uma onda para sair na frente do placar. Ele levou 4.67 dos juízes. Na sequência, o astro emendou outra direita, mas não passou de 3.50, passando a somar 8.17. Com apoio da torcida local, o aussie largou com a melhor nota da bateria até então, um 6.17. Instigado, Medina deu bons ataques verticais e ganhou 6.83 dos juízes. Entretanto, pouco depois, Pittar deu um show à parte. Ele tirou tudo que podia da direita, com fluidez e progressividade, para arrancar nota 9.00.

Faltando 20 minutos, Gabriel conseguiu trocar o 4.67 por um 5.63, mas ainda precisava de 8.35 para tirar George da ponta. O mar não estava colaborando muito. O bronze olímpico em Paris 2024 tentou dar um aéreo rodado, mas acabou falhando no pouso. Restando dez minutos, ele ainda precisava dos mesmos 8.35. A partir daí, nenhuma relevante formação pintou no mar de Margaret. E Medina teve que se contentar com o vice-campeonato no pico onde ele já foi o vencedor, em 2023.

Medina supera Samuel na semi

Na semifinal 100% brasileira, Gabriel foi quem tomou a iniciativa logo no início. Ele dropou duas ondas e desistiu antes de pegar uma terceira que foi surfada com boas batidas e jogando bastante água para receber 7.00 dos juízes. Ciente da importância de não deixar o tri mundial desgarrar, Samuel pegou a primeira, mas não conseguiu finalizar com fluidez e somou 4.67.

Medina ainda acrescentou um 5.00. Pouco depois, Samuca acabou pegando a melhor onda dele. Ele espancou a parede com estilo e progressividade para ganhar 8.67. Mas quase ao mesmo tempo, o medalhista olímpico também foi muito bem e levou 7.77, passando a liderar por 14.77 a 13.34, faltando cinco minutos. E assim acabou: Gabriel estava de volta à final de uma etapa após dois anos e oito meses. A última havia sido em Teahupoo, no Taiti, em agosto de 2023. Na ocasião, ele foi derrotado pelo australiano Jack Robinson.

Italo é despachado por Pittar

Com séries escassas e um vento menos propício, Italo e o australiano George Pittar começaram a segunda semifinal sem conseguirem grandes somatórios. O potiguar abriu com um 5.33, e o aussie respondeu com 4.50. Com a sua tradicional energia acelerada, Ferreira ainda obteve um 4.27 antes de descolar a melhor nota até então. Ele foi eficiente na parede de uma direita e levou 6.83 para somar 12.16. Pittar respondeu com bons movimentos e um 5.83 o fez ter 10.33 e precisar de 6.34 para assumir a ponta.

Faltando 12 minutos, o aussie fez a sua melhor apresentação na bateria. Ele conectou fortes batidas e fechou bem para ganhar 7.33 dos juízes da WSL. O brasileiro precisava de 6.34 para retomar a dianteira e avançar à final. Mas não passou de um 3.40 e acabou sendo eliminado pelo surfista local, dando adeus na semifinal em Margaret.

GE