Esporte | Brasileirão série A

Sábado, 10 de Julho de 2021

Felipão e Aguirre se reencontram em Gre-Nal após 6 anos e tentam livrar Grêmio e Inter da crise

Foto: Alexandre Lops/Inter

Não fossem as arquibancadas vazias do futebol em dias pandêmicos, um torcedor desavisado poderia até pensar que estivesse diante de uma reprise de um Gre-Nal de 2015, ao ver Luiz Felipe Scolari e Diego Aguirre nos comandos de Grêmio e Inter. Seis anos mais tarde, os dois treinadores estão de volta aos respectivos clubes e se reencontram neste sábado, às 16h30, na Arena, pela 11ª rodada do Brasileirão.

O último Gre-Nal com ambos no comando acabou com vitória colorada por 2 a 1 e título do Gauchão conquistado no Beira-Rio. O primeiro clássico entre Felipão e Aguirre veio meses antes, em março de 2015. Um empate em 0 a 0 insosso, mas histórico pelo pioneirismo do setor de torcida mista.

Na antevéspera daquele Gre-Nal, os dois treinadores jantaram juntos e saborearam um churrasco com suas comissões técnicas a convite de Scolari. Firmaram laços de amizade que duram até hoje. Mas faz tanto tempo que é como se Felipão e Aguirre voltassem para assumir clubes diferentes do que deixaram.

O momento atual dos dois rivais, aliás, proíbe um novo churrasco de confraternização na véspera. Tricolor e Colorado chegam ao clássico em situações parecidas, imersos em suas instabilidades particulares na temporada.

O Grêmio é lanterna do Brasileirão com apenas dois pontos somados, sem uma vitória sequer e tenta afastar a crise com a estreia de Scolari. O Inter está melhor, em 14º, com 10 pontos, mas não vence há quatro partidas e pode até encerrar a rodada no Z-4, a depender dos resultados.

A volta de Felipão

A severa turbulência atual contrasta com muito do que o Grêmio viveu desde a última era Scolari. De sua saída, em 2015, até o retorno com apresentação na véspera do clássico, Felipão viu – e festejou – uma era vitoriosa do clube com Renato Portaluppi.

O Tricolor encerrou o jejum de 15 anos sem títulos nacionais com a conquista da Copa do Brasil de 2016, seguida do tri da América em 2017, da Recopa Sul-Americana em 2018 e do tetra do Gauchão. O último estadual foi conquistado por seu antecessor, Tiago Nunes.

É curioso, porém, que Scolari retorne em um contexto que também lembra o de sua chegada, em 2014. Logo após o trauma do 7 a 1, o treinador abraçou e foi abraçado pelo Grêmio para conduzir uma reformulação no elenco. Foi a semente de uma transição que rendeu os títulos já citados.

Agora, ele tem a missão de conduzir um processo semelhante e já prepara saídas e chegadas ao plantel antes mesmo de um primeiro contato com os atletas. Mas há um problema a resolver que grita com o imediatismo da urgência: retomar a confiança do grupo para se recuperar no Brasileirão e afastar os ricos de rebaixamento, hoje uma realidade. Já a partir do Gre-Nal.

A volta de Aguirre

Se hoje parece "quebrada", a tradicional gangorra Gre-Nal afligiu dias bem mais duros ao Inter nos quase seis anos desde a saída de Aguirre. O clube foi campeão do Gauchão mais uma vez – conquistou o hexa – em 2016.

Mas naquele mesmo ano amargou o primeiro e único rebaixamento de sua história. Voltou à elite em 2017, não ergueu mais um título sequer neste período. Bateu na trave duas vezes, com os vices da Copa do Brasil de 2019 e do Brasileirão de 2020.

Aguirre está no cargo há mais tempo que o rival estreante. Mas não muito. O treinador comandou seu primeiro treino há menos de 20 dias. Neste sábado, ele faz seu sexto jogo pelo Inter em 17 dias – um a cada 2,8 dias. E com ao menos oito desfalques a cada partida.

O treinador foi contratado para substituir Miguel Ángel Ramírez e chegou com o discurso de resgatar a identidade do Inter e aplicar um estilo de futebol ofensivo, mas mais agressivo. O primeiro passo, porém, era recuperar a estabilidade da equipe. Algo que ainda não ocorreu, com apenas uma vitória em cinco jogos. O Gre-Nal é uma oportunidade para cumprir este objetivo.

Histórico de confrontos

Em lados opostos na rivalidade, os amigos Felipão e Aguirre se enfrentaram três vezes em Gre-Nais, todas em 2015. O uruguaio leva a melhor: é o único a conquistar uma vitória, a da final do Gauchão daquele ano. São mais dois empates em clássicos, ambos em 0 a 0.

Felipão x Aguirre:

01/03/2015 - Inter 0 x 0 Grêmio - Gauchão

26/04/2015 - Grêmio 0 x 0 Inter - Final do Gauchão

03/05/2015 - Inter 2 x 1 Grêmio - Final do Gauchão

06/10/2018 - Palmeiras (de Felipão) 2 x 0 São Paulo (de Aguirre) - Brasileirão)

Mas o histórico de confrontos entre os treinadores é equilibrado. Isso, porque Scolari já deu o troco em Aguirre. Não pelo Grêmio, e nem contra o Inter. Em 2018, o Palmeiras de Felipão venceu o São Paulo por 2 a 0 em pleno Morumbi, pelo Brasileirão. O Verdão foi o campeão brasileiro daquele ano.

Grêmio e Inter se enfrentam neste sábado, às 16h30, na Arena, no Gre-Nal 433, com transmissão da RBS TV e do Premiere. O Tricolor é o lanterna da competição, com apenas dois pontos somados. O Colorado ocupa a 14ª colocação, com 10 pontos.

Globo Esporte