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Sexta-feira, 20 de Junho de 2025

Estudantes protestam por inclusão após morte de aluna autista vítima de bullying; UNILA emite nota

O campus Jardim Universitário da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) foi palco de uma manifestação emocionada na noite desta quarta-feira (18), em memória de Isabelly Baldin, estudante de medicina de 27 anos, autista, que faleceu na última segunda-feira (16). A mobilização reuniu alunos, incluindo pessoas com deficiência (PCDs), que exigem justiça e responsabilidade da instituição diante das denúncias de bullying e perseguição sofridos pela jovem.

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A tragédia marca o desfecho de um sofrimento que Isabelly relatava há pelo menos 15 meses. Em mensagens trocadas com um colega, ela descrevia assédio por parte de professores e hostilização de colegas de turma. A data da manifestação coincidiu com o Dia Nacional do Orgulho Autista, reforçando os apelos por inclusão e combate ao capacitismo.

Cartazes como “Chega de capacitismo na UNILA” e “Ninguém merece sofrer sozinho” ecoavam o clima de indignação. Os manifestantes acusam a universidade de negligência diante das queixas já formalizadas.

Em nota, a UNILA expressou pesar pelo falecimento de Isabelly, afirmou que prestava assistência à estudante e repudiou as críticas nas redes sociais. “A UNILA convida a todos a uma reflexão: não se pode pedir por justiça e inclusão abusando de fragilidade emocional e praticando ataques à integridade de instituições públicas”, destacou a reitoria.

Isabelly foi sepultada na terça-feira (17), no Cemitério Municipal Dom Mauro Aparecido dos Santos, em Cascavel (PR). A comunidade acadêmica segue pressionando por respostas, enquanto a universidade defende suas ações e condena o que chama de “ataques infundados”.


Nota da UNILA

“A UNILA expressa profundo pesar pelo falecimento de Isabelly Baldin, ocorrido em 16 de junho de 2025, e manifesta absoluta consternação diante da exploração do falecimento da estudante. Perfis pessoais e de influenciadores vêm se apropriando da dor da perda e da condição de pessoas neuroatípicas para direcionar ataques à instituição.

Desde o ocorrido, enquanto a instituição se dedica a apurar os fatos e a prestar assistência aos familiares e a estudantes e servidores impactados, acusações que desconhecem os processos internos adotados pela UNILA para dar suporte à estudante começaram a circular pelas redes sociais de forma inconsequente. Em poucas horas, ainda durante o velório, vídeos, mensagens, cards, abaixo-assinados e até publicidades passaram a expor, de maneira indevida, a imagem de nossa aluna, seu obituário e sua família, e a proferir ataques à instituição.

A UNILA convida todos a uma reflexão: não se pode pedir por justiça e inclusão abusando de fragilidade emocional e praticando ataques à integridade de instituições públicas de ensino e de seus trabalhadores. Enquanto a UNILA e suas equipes estão empenhadas em investigar a ocorrência e em amparar estudantes com ações reais e imediatas, há uma inundação de mensagens de ódio, com acusações e condenações dirigidas à Universidade. Infelizmente, nas redes sociais, a desinformação se propaga de forma mais rápida do que todas as ações realizadas.

Confira as ações concretas, preventivas e de acolhimento realizadas com Isabelly:

1. Acompanhamento da estudante desde o seu ingresso no curso;
2. Atendimentos periódicos para construção e elaboração do plano de trabalho individual da discente;
3. Reformulação do plano de estudos juntamente com a coordenação do curso e a própria estudante;
4. Contato frequente com a família de Isabelly;
5. Inserção da estudante, desde 2023, como bolsista do Programa de Apoio Financeiro ao Desenvolvimento Acadêmico dos/as Estudantes com Deficiência da UNILA;
6. Atendimento à estudante e sua família decorrente de agravamento do seu quadro de saúde mental;
7. Realização de reuniões com professores e com o grupo de pré-internato;
8. Incentivo à participação no time de handebol da Atlética de Medicina e em outras atividades esportivas da Universidade;
9. Acompanhamento da estudante quanto à sua saúde mental (a estudante narrava estar com acompanhamento psiquiátrico e psicológico ativos).

Por fim, a UNILA lamenta mais uma vez o falecimento da estudante Isabelly Baldin, manifesta sua solidariedade a todos os enlutados, especialmente familiares e a comunidade acadêmica, e declara que seguirá firme e com diálogo com estudantes no seu compromisso de promover ações de inclusão para um ensino superior acessível a todas as pessoas.“

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