Brasil | Santarém e Região

Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2019

Em áudio ao governador do Pará, prefeito de Santarém diz que APA Alter do Chão é

Em um áudio enviado ao governador do Pará, Helder Barbalho, sobre a situação dos incêndios na Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, no oeste do Pará, o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, afirma que o local é "área de invasores'" e que teria “policial por trás”.

No áudio enviado ao governador no dia 15 de setembro deste ano, Nélio fala ainda que o “povo lá anda armado” e que os bombeiros não teriam ido ao local conhecido como Capadócia. “Só está a Brigada lá, o bombeiro não está indo lá”, falou o prefeito. Depois, o prefeito ainda disse que é preciso “identificar esses criminosos".

    "Tem gente tacando fogo, para depois fazer loteamento e vender terrenos. Tem que prender uns líderes desses, prender esses criminosos e acabar com essa situação”.

Ao G1, o prefeito Nélio Aguiar disse que passou o áudio para o governador para mantê-lo informado. “Somente os Brigadistas estavam no local e a Semma [Secretaria Municipal de Meio Ambiente] estava receosa de entrar na área por ser uma área de conflito desde 2015, que houve problema na área com relação a grilagem por causa da comercialização de lotes e o ex-policial que foi julgado inclusive e está foragido, o Silas”, explicou.

Nélio reiterou que passou para o governador, o que chamou de “suspeita”. “Jamais eu posso afirmar alguma coisa porque eu não sou investigador policial, não sou nem da Polícia Civil ou Federal e passei para ele para que essas informações fossem apuradas, falei também que havia uma suspeita muito forte de incêndio criminoso e que precisaria que a Polícia Civil, assim como a Federal, investigasse um suposto crime, mas eu não afirmei que era A, B ou C”.

Ainda ao G1, o prefeito disse que apenas reproduziu o que as pessoas estavam comentando e o que devia ser investigado. “Falei no sentido de solicitar o apoio dele para que fosse acionado os bombeiros, uma vez que estava ocorrendo o incêndio e não tinha nem um órgão de segurança pública lá. Eu e a Secretaria de Meio Ambiente fomos os primeiros a chegar lá e só depois os outros, os Bombeiros, a Polícia Militar e os soldados do Exército”, finaliza.

Investigações

A suspeita de incêndio criminoso na APA Alter do Chão está sendo investigada pelas Polícias Civil e Federal. No inquérito da Polícia Civil que ainda não foi concluído, no dia 26/11, houve prisão dos brigadistas Daniel Gutierrez, Gustavo Fernandes, Marcelo Aron e João Victor, além de mandados de busca e apreensão nas residências dos quatro e na ONG Saúde e Alegria.

Na audiência de custódia realizada dia 27, os brigadistas surgiram com uniformes da Susipe e as cabeças raspadas. O juiz criminal Alexandre Rizzi manteve as prisões preventivas na audiência de custódia, sob argumento de garantia da ordem pública e para segurança pessoal dos brigadistas. Mas, no dia seguinte, voltou atrás de sua decisão e concedeu liberdade provisória mediante cumprimento de medidas cautelares.

Já na investigação da Polícia Federal, a linha que vem sendo seguida desde 2015, aponta para o assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como causas da degradação ambiental na APA Alter do Chão.

G1