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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018

Eletrobras perde R$ 2,8 bilhões em valor de mercado após declarações de Bolsonaro

A estatal Eletrobras perdeu R$ 2,8 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira (10), após declarações do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) sobre a privatização da companhia. O cálculo foi feito pela provedora de informações financeiras Economatica.

As ações da empresa recuaram 9,25% na bolsa, negociadas a R$ 20,70 – enquanto o Ibovespa, principal índice ações da B3, recuou 2,80%. Mais cedo, os papéis da estatal chegaram a despencar mais de 14%.

Na noite da véspera, Bolsonaro afirmou em entrevista à TV Band que tem resistências em relação à privatização na Eletrobras, citando a área de geração de eletricidade. Ele comentou que, se for eleito, no setor de energia elétrica "a gente não vai mexer", destaca a agência Reuters.

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Os papéis de outras estatais também sofreram perdas. Juntas, as 10 maiores estatais listadas na bolsa brasileira perderam R$ 23,2 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira, segundo o economista Einar Rivero.

A Petrobras teve queda de 3,24% nas ações preferenciais (com direito a voto), e perdeu 12,5 bilhões em valor de mercado. Banco do Brasil e BB Seguridade desvalorizaram R$ 4,5 bilhões e R$ 600 milhões, respectivamente.

Veja abaixo quanto perderam em valor de mercado as 10 maiores estatais de capital aberto:

 - Petrobras: R$ 12,5 bilhões

 - Banco do Brasil: R$ 4,5 bilhões

 - BB Seguridade: R$ 659 milhões

 - Eletrobras: R$ 2,8 bilhões

 - BR Distribuidora: R$ 1,2 bilhão

 - Sabesp: R$ 786 milhões

 - Banrisul: R$ 180 milhões

 - Copel: R$ 115 milhões

 - Copasa: R$ 158 milhões

 - Sanepar: R$ 89 milhões

Privatização de estatais

Em entrevista, o candidato defendeu a privatização de empresas estatais que deem prejuízo. "Ou até mesmo extinguir”. Mas disse que o setor de geração de energia elétrica será exceção, assim como o “miolo” da Petrobras.

No caso da Eletrobras, o atual governo já privatizou 4 das 6 distribuidoras da estatal, com exceção da unidade no Amazonas, cujo leilão está previsto para 25 de outubro, e a de Alagoas, uma operação suspensa provisoriamente por decisão do Supremo Tribunal Federal.

A venda das distribuidoras é considerada como uma primeira etapa para a privatização da própria Eletrobras, cujo leilão de venda chegou a ser previsto para 2018 pelo governo Michel Temer. O argumento do governo e da companhia é que a Eletrobras ficará mais atrativa para investidores assim que se livrar das distribuidoras, que são fortemente deficitárias.

No final de maio, o governo retirou do Orçamento a previsão de arrecadação extra de R$ 12,2 bilhões no ano com a privatização da Eletrobras, devido à demora na tramitação do projeto que libera essa operação, e com isso a venda da estatal saiu do cronograma do pacote de privatizações de Temer.

Apesar do forte tombo neste quarta, as ações da Eletrobras ainda acumulam alta de cerca de 25% somente em outubro e valorização de cerca de 3% no ano.

G1

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