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Quinta-feira, 14 de Março de 2019

As pessoas não aprenderam a lição e continuam fazendo piadinhas, diz aluno sobrevivente de ataque a colégio em Medianeira

O adolescente Bruno Facundo, de 15 anos, que sobreviveu ao ataque ao Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira, disse ter recebido com tristeza a notícia do massacre na escola estadual em Suzano (SP), na quarta-feira (13).

“Depois do que aconteceu ontem, fico bem triste porque mesmo com todas as consequências as pessoas ainda não aprenderam a lição e continuam fazendo piadinhas, brincadeiras, que acabam provocando situações como esta”, comentou Bruno.

Os pais do adolescente também se disseram surpresos e ficaram emocionados ao saber de um novo ataque, ainda mais grave, já que ao menos dez pessoas morreram e várias ficaram feridas.

Acabei chorando de ver todas aquelas crianças. Me coloquei no lugar das mães que estavam vivendo aquele momento. No nosso caso a tragédia não foi daquela forma, mas não tem como não lembrar, se emocionar e saber que elas vão ter que lidar com esse problema”, disse a mãe de Bruno, Gigliori Facundo.

Família de aluno baleado dentro do Colégio de Medianeira fala sobre massacre em SP
Família de aluno baleado dentro do Colégio de Medianeira fala sobre massacre em SP

Bruno continua se recuperando da lesão que sofreu na coluna e que prejudicou parte dos movimentos do lado esquerdo e aos poucos está retomando a rotina. Ele está cursando o segundo ano do ensino médio no mesmo colégio, faz aulas de inglês e também voltou a tocar na fanfarra, onde foi convidado a ser professor de instrumentos de sopro.

Segundo a polícia, o atirador que invadiu o colégio em Medianeira no dia 28 de setembro de 2018 junto com outro adolescente vinha sofrendo bullying. Ele foi condenado a cumprir medida socioeducativa por tempo indeterminado.

Após atentado, entidades reforçam discussões sobre bullying com estudantes de Medianeira
Após atentado, entidades reforçam discussões sobre bullying com estudantes de Medianeira

Prevenção e combate ao bullying

Para evitar novos casos, o Ministério Público Estadual (MP-PR) recomendou que fossem adotadas medidas de prevenção e combate ao bullying e atos infracionais no ambiente escolar.

Entre as ações estão a criação de um grupo coordenado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em parceria com a Secretaria de Assistência Social, o Conselho Tutelar, a Polícia Civil e escolas, responsável por ciclos de palestras, acompanhamento psicológico e fortalecimento familiar.

“Nós passamos a trabalhar basicamente dois pontos, a importância do respeito ao outro, com suas diferenças, e o fortalecimento, porque percebemos que assim como tem aumentado a agressividade, tem aumentado também a fragilização. Às vezes a pessoa não responde a ofensa na hora. Ela vai guardando e uma hora vai explodir”, aponta o presidente do Conselho dos Direitos da Criança, Antônio Carlos Pereira.

Ele destaca ainda que a estruturação familiar é fundamental para se perceber quando as crianças e adolescentes estão com algum problema.

“A estruturação familiar é o que dá esse suporte e que pode servir de válvula de escape de uma ofensa recebida na escola. Por isso a importância do convívio e da presença. Se eu não conheço meu filho, não vou reconhecer quando ele não está bem. Outras instituições como a escola e a igreja vêm para ajudar, mas a família precisa voltar para casa”, observa Pereira.

G1

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