Notícias da Região | Eleições 2026

Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

Análise: Crise na Venezuela implode plano de Lula para largada de 2026

Agenda externa se sobrepõe e atrapalha planos do petista para avançar em entregas para a eleição

Superado o susto inicial provocado pelo ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a dar como consolidado um diagnóstico difícil de digerir: a crise no país vizinho carrega consigo um risco real de impactar na corrida deste ano pelo Palácio do Planalto.

Clique aqui para participar de um dos nossos grupos no WhatsApp

Na prática, a crise implodiu tudo o que o governo Lula planejava para a largada do ano eleitoral. A ideia era abrir 2026 com a agenda voltada às entregas da gestão, muitas delas ainda dependentes de aval no Congresso Nacional.

Depois de um fim de ano turbulento na relação com o Legislativo, o Planalto queria se dedicar a restabelecer pontes. E, quem sabe, destravar medidas estratégicas que ainda seguem penduradas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção.

O novo cenário geopolítico altera totalmente o eixo das discussões. Caem na lista de prioridades as entregas eleitorais de Lula, a agenda econômica, a comunicação da pré-campanha. Entram no foco a agenda externa, o risco de a crise venezuelana extrapolar a fronteira e o temor quanto aos próximos passos do governo Trump.

A relação entre Lula e Trump, em especial, é uma peça delicada nessa equação. O presidente brasileiro encerrou o ano passado celebrando o elo estabelecido com os Estados, em decorrência das negociações do tarifaço.

Neste momento, Lula tenta se equilibrar entre um discurso que condene firmemente o ataque à Venezuela, sem que isso abale profundamente a relação com Trump.

A saída, até agora, tem sido focar o discurso presidencial no respeito ao Direito internacional, na soberania da América Latina e na defesa da pacificação, sem em momento algum voltar as críticas diretamente a Trump. E, também, sem nem sequer citar o nome de Maduro.

Mas o fato de Lula evitar qualquer menção a Maduro não muda o fato de que seus adversários irão explorar à exaustão a vinculação de sua imagem ao ditador venezuelano. Foi exatamente o que se viu nas redes sociais nos últimos dias, com o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro puxando o coro.

Um desafio de Lula, neste momento, é evitar que o bolsonarismo reative seus canais junto ao governo Trump na esteira da crise na Venezuela. Caso contrário, aumenta o risco de que o presidente dos Estados Unidos possa até mesmo se posicionar publicamente em relação à eleição brasileira, na esperança de aumentar a influência da direita na região.

CNN

Clique aqui para acessar nossa página no Instagram