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Domingo, 24 de Maio de 2026

Abel Ferreira aponta segredo do Palmeiras contra pressão: "Ligamos o modo resiliência"

Sorridente, português falou sobre críticas de torcida organizada, elogiou Paulinho e dedicou vitória sobre o Flamengo para Leila Pereira, presidente do Verdão.

Abel Ferreira aliviou a pressão que sofria no Palmeiras com uma vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo, neste sábado, no Maracanã. Para suportar o balanço do barco, a equipe tem um segredo, que está ligado à resiliência tão citada pelo treinador.

O português vinha recebendo críticas após três empates consecutivos no Brasileirão, que aumentaram após a derrota para o Cerro Porteño no meio de semana, pela Conmebol Libertadores.

– Desde que estou aqui, há cinco anos, o futebol, essa liga é muito competitiva, sabemos que vários resultados podem acontecer, cada jogo é uma história diferente, preparamos bem esse jogo, mesmo com esse contexto que você falou. Agradeço pela confiança dos nossos jogadores, acreditam naquilo que é o trabalho mesmo em momentos difíceis, porque sabem que o time que já ganhou um título está disputando por mais três, sabe que durante uma época competitiva terá altos e baixos e tem que se manter resiliente, foi o que disse a eles.

– O Palmeiras quando não ganha existe cobrança, quando isso acontece ligamos o modo resiliência, é algo que tenho comigo e dá para ver nessa equipe. Foi uma vitória justa, claro que quando o adversário tem um jogador a menos, em uma expulsão justíssima, como poderia ter acontecido na final da Libertadores, não canso de falar disso, pois foi um lance exatamente igual. Mas foi uma vitória justa, em um campo difícil, com excelentes jogadores, excelente treinador, com um público que puxou a equipe do início ao fim, uma atmosfera muito vibrante todo o jogo, não só pela qualidade da equipe, mas pela vibração do estádio, os nossos que vieram, mesmo em minoria, mesmo poucos, super ruidosos.

– Quando não há resultado em um jogo a cobrança exista, minha promessa junto da diretoria e jogadores é sempre estar na Academia, fazer o melhor para entregar o que entregamos três meses atrás, quando todos nos abraçamos, passado três meses, se perde um jogo, depois de 17 jogos invictos, perde um jogo em casa a cobrança vem, mas isso é bom para o nosso time, no Palmeiras só tem uma solução, ganhar, e se não ganha a cobrança vem. Sinto carinho e admiração pela nossa torcida e peço que siga nos apoiando, o time e o elenco, juntos somos mais fortes, divididos as coisas ficam mais difíceis.

Paulinho volta a marcar e provocações

O atacante Paulinho, autor do terceiro gol do Palmeiras, já vinha sendo relacionado, mas ainda passa por acompanhamento do Núcleo de Saúde e Performance do clube. A restrição de minutos é nítida, mas, dessa vez, o atacante conseguiu balançar as redes.

Abel Ferreira demonstrou felicidade pelo camisa 10, que viveu quase dez meses de uma recuperação difícil em meio a luta por títulos do Verdão em 2025.

– O Paulinho é um pouco essa resiliência, do que pode acontecer com um jogador, do que pode acontecer com uma equipe em uma época com obstáculos a superar. Acho que ele, aos poucos, vai continuar a aparecer. Ainda está em um protocolo que nos permite só determinado tempo, mas a vontade dele contagia nossos jogadores – analisou.

O gol gerou confusão no gramado do Maracanã. Paulinho pediu "silêncio" para a torcida do Flamengo, e os jogadores do rival não gostaram. Abel se mostrou contrário às provocações.

– Sou contra qualquer ato provocatório que incentive violência, seja dos nossos torcedores ou adversários, isso posso dizer, mas do caso em questão eu não vi. Sei que essa rivalidade é muito grande, mas sou contra esse tipo de provocação – finalizou.

Com a liderança do Brasileirão assegurada, agora com sete pontos a mais do que o Flamengo, o Palmeiras vira a chave e foca todas as energias na última rodada da fase de grupos da Libertadores. É vencer o Junior Barranquilla nesta quinta-feira, no Allianz Parque, para garantir a classificação às oitavas de final.

Veja outras declarações de Abel Ferreira na coletiva

A estratégia com um jogador a mais
– A estratégia, a partir do momento que ficamos com mais um jogador, nossa equipe ficou um pouco perdida sobre qual era o nosso encaixe. A partir do momento que você tem mais um jogador em campo, o que fizemos foi subir o Andreas e o López para pressionar a primeira fase de saída de bola do adversário. Encorajamos nosso Emiliano a se juntar ao Marlon nos dois volantes deles, porque nossa superioridade já estava por trás.

– Então procuramos não dar tanto espaço ao nosso adversário. Mesmo com um jogador a menos, o Flamengo é qualificado, tem jogadores experientes, que atuaram na Europa, treinador que correu o mundo, conhece muito bem o futebol. Mas, como disse, fomos competentes e não posso negar que, com um a mais, o jogo fica menos difícil.

– Foi uma vitória justa da equipe, que manteve o controle inicial, começou com 11 e terminou com 11. Nesses jogos, a parte emocional tem um peso maior do que a parte técnica ou tática.

Dedica a vitória para as filhas
– Eu sou muito consistente e equilibrado naquilo que são os processos, já disse várias vezes, trabalhamos há muito tempo. Gostaria de dedicar essa vitória a duas mulheres. A primeira é nossa presidenta, agradecer por toda tranquilidade que passa ao elenco, treinador e jogadores. Talvez seja o ser humano com mais coragem que conheço, sempre é bom trabalhar com pessoas assim, que confiam em um trabalho de continuidade, com processos, que ela mesma diz que sabe que não vai ganhar sempre, mas sabe o que fizemos dentro do CT. Dedicar a vitória a ela.

– E a outra é minha filha Maria Inês, não está comigo há um ano. Várias vezes fiquei longe dela por não poder estar nos anos dela, prometo-lhe que em breve estaremos juntos, é um processo do pai, fica tranquila. Espero que tenha aproveitado o dia de hoje.


– Futebol é isso, tem dias em que estamos mais inspirados, jogos em que estamos mais criativos. Futebol é um reflexo da nossa vida, há dias em que o trabalho corre melhor, fazemos textos magníficos, sem erros, damos opiniões espetaculares, com inspiração, e outros dias não sai nada.

– Quando não se está tão descansado, tem menos tempo, esse refino técnico fica mais notório, mas o mais importante é que hoje acertamos, tanto na defesa quanto no ataque. Cada jogo tem uma história, a equipe começou o ano vencendo, é resiliente, luta por três títulos, tem quinta-feira um jogo importante para passar na Libertadores, uma equipe ambiciosa que quer ganhar a Copa. Estamos unidos e, se possível, se a nossa torcida quiser nos apoiar, eu agradeço muito, porque quinta será importante. Todos somos um e isso é fundamental em todos os momentos, bons e maus, é isso que temos no clube com presidente, staff, jogadores e a torcida, que hoje, mesmo em menor número, escutamos até o fim.

Crias da Academia de Futebol
– Nosso trabalho é fruto de uma preparação, não só daquilo feito na base. Todos os treinadores, do João Paulo para aquilo que é um processo de cinco anos aqui, todos sabem que o Palmeiras precisa desses jogadores na equipe principal, a máquina tem que rodar, esses jogadores são fundamentais.

– Ao contrário do nosso rival, que consegue receitas através da moldura humana que tem, nós temos que arrumar outras formas de receita. Uma delas é valorizar esses jogadores, ativos, e para isso contamos com o trabalho da base, comissão principal, trabalho do Barros, organização desportiva, mas acima de tudo organização pessoal, que vocês não veem. Temos que organizar a vida desses moleques, que passam a ser conhecidos, têm aumento de salário, e é preciso controle, estabilidade grande, que o clube dá. O Palmeiras tem esse cuidado de não só desenvolver esses jogadores dentro, mas fora do campo, faz parte do nosso trabalho.

– Temos muitos lesionados, gosto de premiá-los pelo trabalho deles, diário. O Arthur estava conosco desde o ano passado, nesse ano o Piquerez machucou, o Jefte teve problema, Arthur mostrou maturidade, segurança, tem uma sede de bola incrível, uma precisão de passe, uma intencionalidade boa, estou feliz por ele, mas tudo que faz é mérito dele.

– Allan já conhecíamos, não poderia falar nada diferente do que ele fez hoje, fez um jogo magnífico. Para o último jogo em casa, em que as coisas não saiam, tem dias em que as coisas não saem, não estamos tão criativos. São dois garotos que estão de parabéns, mas porque temos um grupo extraordinário, com jogadores mais velhos que ajudam, uma equipe que tem muito presente, muito futuro e muito para crescer. Esses jogos são ótimos para isso.

Mais sobre pressão
– A decisão mais difícil que tomei foi atravessar o Atlântico e treinar o Palmeiras. Hoje é uma alegria e uma honra, porque sinto genuinamente dos torcedores do Palmeiras carinho, respeito e gratidão. Entendo, porque faz parte, que quando as coisas não correm bem existam contestações. Lembro que há três meses estávamos abraçados comemorando um título. O Guardiola teve 10 anos no City e ganhou 20 títulos, tudo tem um ciclo, mas saiba que quanto mais tempo estou aqui mais perto estou do fim, não sei quanto tempo vai durar.

– Como a presidente diz, que seja eterno enquanto dure, quero estar feliz no Palmeiras, sentir que estou junto com quem trabalho, que estamos juntos, sentir carinho e gratidão dos torcedores, isso que sinto deles. Mas entendo que em momentos de frustração, e é verdade, depois de 17 jogos perder um jogo gera frustração. Como diz o Gómez, o futebol é passional, e hoje todo mundo tem liberdade de expressão e pode dizer o que sente.

– Sou grato por ser treinador do Palmeiras, grato por treinar esses jogadores. Sabemos que no Palmeiras, quando não ganhamos, elevam-se as expectativas, assim que tem que ser. Mas já disse que, quando eu for o problema, serei o primeiro a ir embora.

Treinadores portugueses
– Olha, tenho que ser sincero, acho que o primeiro treinador foi o Paulo Bento, no Cruzeiro, as coisas não correram bem. Depois veio Jorge Jesus, aqui no Flamengo, as coisas correram bem e fizeram uma promoção do que são os treinadores portugueses.

– Não é pela nacionalidade, temos bons treinadores brasileiros, argentinos, não é sobre nacionalidade, mas Jorge Jesus foi quem trouxe nossa metodologia de treino, que trazemos de Portugal. Quando decidi vir para cá estava indeciso, minha família não queria que eu viesse, essa foi a maior decisão, maior pressão, contra minha família, vim contra tudo e contra todos. Felizmente as coisas correram bem e, em função disso, os dirigentes brasileiros veem os portugueses como alternativa.

– Tem treinadores brasileiros super competentes, Diniz, tem o do Vasco, Renato Gaúcho, não esqueci que tenho que tomar um chope com você quando tiver tempo, no futebol ele vai ganhar, porque na minha terra só tem pedra, não tem praia.

– Aprendi muito com Leonardo Jardim. Pouca gente sabe, mas no primeiro mês de trabalho eu era auxiliar dele, de manhã treinava com ele, à tarde com a equipe B. Nós lembramos do Kier, Mané, João Mário, que estavam na equipe B, depois subimos para a equipe de cima, fizemos uma campanha excelente e ele foi para o Monaco. É um rival, mas tenho carinho e respeito por ele.

– Eu sou passional, me deixo levar pelas emoções, mas a idade dá experiência. É um gosto poder competir com ele, não tem a ver com nacionalidade, tem a ver com estudo, resiliência, às vezes precisa aguentar trancos, como ficar 17 jogos sem perder e ter contestação, mas ser resiliente e continuar a seguir seu caminho. O futebol brasileiro é uma preparação para todos os níveis.

GE